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13 de janeiro de 2018
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O crescimento da extrema-direita em boa parte do mundo reza uma cartilha muito parecida. Diante do enfraquecimento dos espaços convencionais da política, afogados em uma crise de confiança do povo com o sistema, surgem candidatos sem grande experiência administrativa, com um discurso oportunista de negação da política, repetindo frases de efeito que soam como ópera para os ouvidos de uma população castigada. Esses candidatos estão fazendo a conversa política ficar, naturalmente, mais agressiva e mais distante das respostas estruturais aos problemas do sistema. Nos EUA falam de construir um muro, na França em expulsar imigrantes árabes e aqui simplificam o debate sobre segurança pública para a lógica de uma pessoa, uma arma.

Eles ganham notoriedade e os topos da pesquisa, surgem fora do sistema de mídia tradicional e não recebem endosso de figuras públicas relevantes. São políticos de dentro, como todos os outros, mas  vestem uma capa publicitária para parecer que viveram à margem de um sistema corrupto e que nunca se beneficiaram dele. Candidatos de extrema-direita como o deputado federal Jair Bolsonaro,  que está faz 27 anos no Congresso, são exatamente o comum na política tradicional, não a exceção. As denúncias que surgiram na imprensa contra a família  Bolsonaro sobre o crescimento incompatível de patrimônio, contratação de funcionários fantasmas e uso indevido de verbas parlamentares mostram isso.

A resposta que a extrema-direita dá para as denúncias é o ataque. Fogo e fúria contra os jornalistas que escrevem , os veículos que publicam. Ridicularizando as denúncias e nunca respondendo diretamente sobre elas. Acabam tentando desacreditar a narrativa pela repetição de que ela é falsa. Logo ganham respaldo de seguidores fiéis que encaminham os ataques contra quem publica a história, mas que nunca explicam as incongruências biográficas de quem está no centro delas.  Como lá fora, é bem possível que a versão dele prevaleça para uma boa parte do eleitorado que já nutre certa desconfiança da mídia tradicional, pois bem como o sistema político, nosso sistema de mídia enfrenta uma crise de credibilidade.

Donald Trump é o mestre dessa estratégia que Bolsonaro tenta impor para escapar da onda de denúncias com o menor impacto possível em sua construção eleitoral. As frases racistas do presidente americano, a falta de clareza no pagamento dos seus impostos, as disputas de poder dentro da Casa Branca, tudo é respondido com a simplificação de que esses são ataques orquestrados por propagadores de notícias falsas.

Criar uma cortina de fumaça sobre suas décadas de trabalho medíocre como deputado do baixo clero é tudo que Bolsonaro quer agora. Sua notada incapacidade para tratar de temas relevantes para uma disputa presidencial ficam em segundo plano, enquanto isso ele foca numa campanha de frases feitas, de ódio às minorias,  e em uma  estratégia de marketing que fortalece seu nome como uma resposta panfletária para os principais medos da população.  Tudo muito bem calculado, como políticos tradicionais sempre costumam fazer.

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