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O deputado federal Jean Wyllis (PSOL) questionou neste sábado (26) a ligação com a mídia hegemônica das agências de checagem de Fake News. Ele participou da mesa Repressão na mídia, na 6ª edição do Encontro de Blogueiros e Midiativistas, ao lado da presidenta da Fenaj Maria José Braga e da coordenadora geral do Fórum pela Democratização da Comunicação Renata Mielli.
A Agência Saiba Mais acompanha o Encontro de Blogueiros e Midiativistas, em São Paulo.
Um dos principais alvos de fake News no Congresso Nacional, Wyllys defende mais transparência nas relações das agências de checagem para que não haja seletividade. A preocupação dele é que o combate às fake news seja usado para aumentar o poder hegemônico da mídia e censurar a mídia independente.
- Quem são as tais agências de checagem de notícias? Atuarão em favor de quem? Vão carimbar como fake news o que prejudica determinados partidos, como o PSDB, ou grandes empresas de comunicação? Qual a ligação delas com a mídia hegemônica ? Quais critérios para definir o que é ou não é fake news ? Quem vai checar a checagem?”
Sobre a repressão da mídia, tema da mesa, ele citou os ataques institucionais:
- A repressão começa antes do golpe, com o Eduardo Cunha, que transforma a comunicação institucional da Câmara em favor dele. Nós, parlamentares de esquerda, fomos proscritos dos programas da TV Câmara. E depois veio o ataque a Empresa Brasileira Comunicação (EBC), que tinha um desenho de comunicação pública, mas começou a ser desmontado.
O deputado federal destacou que a esquerda brasileira sempre negligenciou a importância da comunicação no processo político e classificou como “jornalismo de guerra” o papel que a mídia tradicional vem desempenhando no país.
- Principalmente de 2013 pra cá, a mídia vem produzindo jornalismo de guerra, desonesto intelectualmente, sem permitir que as pessoas interpretam os fatos da política. E isso é uma ameaça à democracia.
Jornalista formado pela UFBA, Jean Wyllys acredita que a grande disputa em curso é a da narrativa:
- A gente vem perdendo a disputa pela narrativa. Porque a esquerda negligenciou o campo da comunicação. Tanto em termos de rede social e de Governo. O governo Lula não deu atenção à comunicação, não fomentou a mídia regional. Li a entrevista do José Dirceu e me chamou a atenção quando ele disse que a esquerda subestimou a direita. Subestimou mesmo, sobretudo na área de comunicação.
Jean Wyllys se divide atualmente entre o trabalho de parlamentar e o de professor do mestrado em HIV pela Uni-Rio. Atuante nas redes sociais, ele contou durante o debate que trabalhou em jornais tradicionais da Bahia, como o Correio da Tarde, ligado à família de Antônio Carlos Magalhães.
O parlamentar também destacou que, entre os 513 deputados federais, é o único que mantém um conselho social no mandato com reuniões a cada dois meses definido tanto a pauta de atuação e até destino de emendas e orçamento.