Teoria e prática
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27 de junho de 2018
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Um empate e uma vitória conquistada nos acréscimos. Até o momento, num grupo teoricamente fácil, a Seleção Brasileira vai passando na média. Também na teoria, o que nessa Copa não quer dizer muita coisa, a Sérvia é o adversário mais difícil. E a instabilidade emocional de Neymar, o que deve ser explorado pelos irmãozinhos de Petkovic, pode colocar tudo a perder. Na teoria.

Na última entrevista coletiva, apesar das brincadeiras, o professor Adenor admitiu que estava tenso. É isso. A Seleção Brasileira, que chegou a Rússia sem aquela pressão exagerada da torcida, entrou de roupa e tudo na panela, queima em fogo alto e, na teoria, está a 90 minutos de cozinhar ou explodir.

Há tempos não se vê o principal jogador do Brasil numa Copa ser tão massacrado, a ponto do pai do atleta negociar uma espécie de trégua com a principal empresa de comunicação do país, colocando ainda mais lenha na fogueira da relação entre a Rede Globo e a Seleção da CBF. Na teoria, um grande arrumadinho.

Fora de campo, um dos problemas com o Neymar é a mania que o garoto tem, teoricamente mal orientado pela família, de sonegar impostos. O que ele faz com o dinheiro que ganha, o que ele diz a partir da educação que recebeu dos pais ou o que ele pensa sobre a vida merece, no máximo, o julgamento da mesa de bar. E haja teoria para explicar o comportamento do único popstar da seleção de Adenor.

Na prática, como diz o filósofo, a teoria é outra.

É visível que Neymar ainda não está 100% em campo. Foram três meses sem jogar até os dois amistosos antes da Copa, nos quais saiu-se bem marcando gols. À vera, a lesão no pé esquerdo ainda incomoda e, dada a importância do craque, reflete no futebol do time.

Mas a parte física é parte do problema. Neymar ainda titubeia quando se vê obrigado a assumir a responsabilidade pelo time. Nas Olimpíadas, aperitivo há dois anos, a Seleção também fez uma campanha horrorosa na primeira fase e só engrenou na reta final. Nas últimas, fomos da teoria à prática.

Ok, nunca tivemos tradição nos Jogos Olímpicos e o time era outro, bem mais jovem. Mas é a liderança que nos falta, por mais coletivo que seja o futebol.

O choro contra a Costa Rica no meio de campo e o desabafo nas redes sociais têm o peso de uma responsabilidade que Neymar ainda não matou no peito e mandou para o gol.

O dia é hoje, contra uma Sérvia que precisa ganhar para seguir na Copa.

2 a 1, Brasil. Chorado, offcourse.

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