OPINIÃO

Pesquisa eleitoral é o paraíso para assessorias gerarem manchetes

Vamos começar com uma analogia simples: Numa pesquisa eleitoral para líder do cardume, a Sardinha tem 27% de intenção de voto, o Atum tem 15%, o Pescado tem 10% e os outros peixinhos juntos tem 2%.

A assessoria da Sardinha, se fizer as contas direitinho, lembrando que a margem de erro no mar também é de 3%, divulgará da seguinte maneira:

“Pesquisa indica que a Sardinha deve vencer no primeiro turno”.

Já a assessoria do Atum, fará a divulgação assim:

“Segundo pesquisa, o Atum mantém-se firme rumo ao segundo turno”.

Por sua vez, a assessoria do Pescado, fará a seguinte manchete:

“Pesquisa: Pescado encosta no Atum e segundo turno está indefinido”

Em suma, isso é que está acontecendo na mídia e na divulgação das pesquisas eleitorais no Rio Grande do Norte.

Todos os institutos de pesquisa mostram a senadora Fátima Bezerra bem à frente dos demais candidatos. Em diversas dessas pesquisas, basta uma conta simples dos votos válidos para perceber que naquele momento, ela venceria no primeiro turno. Mas, dificilmente os veículos de comunicação tradicionais e blogs divulgam esta informação, preferindo noticiar a liderança de maneira vaga e se deter nos demais candidatos.

As mesmas pesquisas vêm indicando a segunda colocação de Carlos Eduardo Alves (PDT) e a terceira com Robinson Faria (PSD), com os demais bem atrás e mal pontuando. Levada em consideração a margem de erro de 3% para mais ou para menos e o fato de Robinson ser o governador em busca da reeleição, é fácil perceber que Carlos e Robinson brigarão com foices pela segunda vaga no 2º turno – se houver – com leve favoritismo do ex-prefeito de Natal, que tem menor rejeição que Robinson.

Mas as assessorias de ambos, compreensivelmente, “vendem” a ideia de que as pesquisas beneficiam a um e a outro. Blogueiros simpatizantes de Carlos e de Robinson também fazem a festa com os números das pesquisas. “Carlos praticamente assegurado no 2º turno”. “Robinson em crescimento e eleição totalmente indefinida”. Essas são algumas das matérias em blogs com base na mesma pesquisa.

Nada de mais e nada de errado nisso. Campanha eleitoral também é narrativa. Cada candidato e assessoria pode ter sua versão dos fatos e dos números.

Mas que pesquisa é o paraíso para quem faz manchetes, é.

O problema é quando o jornalismo dito imparcial não se detém a fundo na pesquisa. Não faz contas. E omite dados de rejeição e nuances encontradas.

 

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