OPINIÃO

Quem sabe do futuro que já começou?

A campanha eleitoral que teve início a semana passada em cadeia de Rádio e TV já vem com roteiro traçado. O neoliberalismo conservador quer protagonizar o enfrentamento entre a direita e a extrema-direita. Sem conseguir estabelecer a unidade sonhada do golpe, precisa intensificar a formação de uma falsa polarização para ganhar votos em cima de Bolsonaro, mas só consegue ganhar a eleição contra o ex-militar.

Construída narrativamente pela Rede Globo, mão amiga dos golpismos, impulsionadora do impeachment de uma presidenta legítima e democraticamente eleita, cérebro, alma e voz da prisão do presidente Lula e da sua interdição na campanha eleitoral, a tática, porém, não traz nada de original nem de força.

Apostam na conduta ditatorial e no caráter retrógrado da sentença do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para interditar o conflito real, a verdadeira polarização, que está nas ruas e nas sondagens eleitorais.

Uma disputa real que posiciona de um lado um projeto democrático e popular, que não deixa dúvidas quanto ao seu caráter progressista: convocação de Constituinte; revogação de medidas do governo Temer, como a reforma trabalhista e a Emenda Constitucional 95; reforma tributária progressiva; reforma bancária; recuperação das riquezas do pré-sal, do sistema de partilha e da capacidade de investimento da Petrobras; reindustrialização e diversificação das matrizes produtivas e energéticas; política externa soberana; reintegração regional. E, de outro, um projeto retrógrado, anti-nacional e anti-povo, com seus bizarros tons.

É Lula versus a ofensiva reacionária, conservadora e restauradora do neoliberalismo.

Ignorando, contudo, os manejos golpistas da direita e seus veículos de comunicação, Lula armou uma seleção com reais chances de enfrentar os seus dois verdadeiros adversários: o Golpe e as Eleições. Ousou usar a marca de seu próprio suplício a seu favor: como anti-prova às acusações que lhe pesam, formou o seu tríplex, com Lula, Haddad e Manuela.

Tríplice que consegue alcançar simbolicamente o coração dos brasileiros: tem representatividade regional, apelo à maior participação feminina em espaço de poder e transição geracional. A possibilidade de fazer composições de chapa em uma única permite ao Lula uma margem de manobra essencial nos próximos dias em que se dará a batalha judicial para cassar seus direitos.

Se barrar o processo de cassação ilegítima de sua candidatura pelo TSE, as pesquisas de opinião mostram que o Lula vence em primeiro turno. Nesse caso, terá uma vice respeitada, capacitada para traduzir o processo político de mudança de geração. Se for impedido pelo bloqueio judicial do Golpe, contará em campo com um quadro do PT que tem capacidade e criatividade para apresentar saídas para a crise que está destruindo as bases nacionais e o sentimento de crença do brasileiro em qualquer projeto minimamente civilizatório. De fundamental importância para ganhar uma eleição polarizada.

Com o time montado e em jogo, Lula mantém a sua capacidade de pautar o ritmo das eleições, mesmo com o endurecimento do Golpe ao seu redor. A próxima grande jogada implica o apoio do conjunto das forças democráticas, populares e progressistas, as organizações vivas do movimento popular, os setores verdadeiramente emergentes da sociedade, à decisão do Partido dos Trabalhadores e do Partido Comunista do Brasil de lutar “contra a cassação política, com Lula até o fim”. Se sair livre para buscar o julgamento popular é improvável?

Quem sabe do futuro que já começou?

 

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