OPINIÃO

Brumadinho

Brumadinho é mais um elemento concreto, real, objetivo, que demonstra a forte tendência que se instala na sociedade de não valorizar aquilo que é fato, de negar a realidade, de escolher no que acreditar, e de como a “manada” se guia pelo “viés ideológico” até em relação daquilo que está para além da política.

Os que gritavam o ALERTA, os que pediam justiça, os que denunciavam a omissão eram os “esquerdistas”, ou supostos “petistas”, pois no caos criado pela pós-verdade, pelo anti-intelectualismo, pelas fake news e pelas fake histories tudo agora é uma coisa só – é a supremacia do pensamento binário, sem lógica, sem razão. Logo, dentro desse novo pensamento que se massificou de forma quase religiosa, a grande mídia e a massa de manobra decidem no que acreditar e ignoram a realidade. Tudo, como sempre, porque interesses velados não podem ser revelados.

Assim, as consequências da tragédia – obviamente, depois de explorados os resultados do espetáculo – têm sido solenemente ignoradas, pela grande mídia e pelas instituições que dizem estar funcionando normalmente. Até hoje não se tem notícias que alguém tenha sido responsabilizado pelo “acidente”. Muito menos se falou em medidas que mitigassem o risco de novas tragédias.

Mariana foi uma das maiores tragédias ambientais da história do Brasil. Um dia desses (2015). Bem ali pertinho (na própria Minas Gerais). 19 mortos. Centenas de feridos e desabrigados. Um município inteiro (Bento Rodrigues) soterrado. Um rio envenenado. Uma praia prejudicada. Pessoas que perderam tudo o que já que não tinham e, ainda, suas fontes de renda.

Agora vem Brumadinho.

Os mais atingidos, como sempre, o povo humilde e simples da região. Os pescadores. Os pequenos produtores.

A água represada quando se rompe não discrimina, não escolhe se é rico ou pobre, se é de esquerda ou de direita. Todavia, muitos não podem escolher ficar fora do seu caminho. Essa é a diferença. E quando a água vem, tudo leva. Inclusive a vida.

As últimas notícias falam em 200 desaparecidos. Que tristeza!

Assim como a barragem prende a água, os interesses do povo – o mais pobre, o que sempre esteve à margem (ou no caminho das explorações e da falta de atenção) – estão presos há décadas (séculos para ser mais preciso). Assim como a água arrebenta a barragem, um dia o povo vai arrebentar aquilo que o prende. Qualquer dia desses. Ah, vai sim! E quando isso acontecer, a vontade popular vai passar por cima de tudo, com uma força muito maior do que as águas das barragens de Mariana e Brumadinho! E, nesse dia, se tornará, finalmente, um povo livre!

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