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Petrobras retoma “feirão” dos campos maduros após decisão de Toffoli

Com informações da Federação Única dos Petroleiros (Fup)

Após o presidente do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli derrubar dia 11 de janeiro a decisão do ministro Marco Aurélio de Mello, que impedia a Petrobras de continuar vendendo sem licitação mais de 250 campos de petróleo e gás, a estatal afirmou nesta segunda, 14, que “retomará a publicação de eventuais oportunidades relacionadas a novos projetos de desinvestimentos de E&P, seguindo o curso normal de seus negócios”.

Com isso, a direção da Petrobras segue descumprindo a Lei 13303/2016, a chamada “Lei das Estatais”, que estabelece mecanismos de governança para as empresas públicas, de sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, principalmente no que diz respeito à regulamentação das licitações e contratações.

Em novembro do ano passado, a empresa concluiu a venda de 34 campos terrestres no Rio Grande do Norte e três campos de águas rasas na Bacia de Campos (Pargo, Carapeba e Vermelho), onde outras dez áreas de produção estão em processo final de privatização nos polos de Enchova e Pampo. Centenas de petroleiros próprios e terceirizados estão com seus empregos ameaçados.

Segundo estudo do Dieese, os campos de Pargo, Carapeba e Vermelho foram vendidos por 0,25% do valor de retorno que darão nos próximos anos, levando-se em conta a cotação atual do barril de petróleo. No caso dos campos terrestres do Rio Grande do Norte, a empresa que levou as 34 áreas terá um retorno de pelo menos 180 vezes do que pagou por elas. Até uns anos atrás, os campos vendidos pela Petrobras respondiam por quase 80% de toda a produção de gás do estado.

Os campos foram negociados com a empresa brasileira 3R Petroleum e Participações Ltda. por R$ 453,1 milhões, mas a venda chegou a ser suspensa pela Justiça do Trabalho após ação ajuizada pelo Sindicato dos Petroleiros do RN. O capital da empresa 3R Petroleum é 300 vezes menos que o valor da cessão autorizada pela Petrobras.

Os 34 campos de petróleo no estado potiguar empregam atualmente 80 petroleiros e 200 trabalhadores terceirizados.

Ilegalidade

Em decisão proferida em 19 de dezembro, o ministro Marco Aurélio declarou a ilegalidade do Decreto Presidencial 9.355/18, assinado por Temer em abril do ano passado e que dispensa a Petrobras de licitação na cessão de direitos de exploração e produção de petróleo e na aquisição de bens e serviços, na condição de operadora. O decreto foi questionado por Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo PT e pela campanha “O Petróleo é do Brasil”, que tem a FUP como uma das entidades articuladoras na luta contra a privatização da Petrobras e entrega do Pré-Sal.

Relator da ADI, o ministro Marco Aurélio afirmou em seu despacho que o decreto do ex-presidente Temer é flagrantemente ilegal. Toffoli, por sua vez, suspendeu a decisão do colega de corte, através de liminar, liberando a Petrobras para vender os ativos. A ADI está pautada para ser analisada pelo plenário do STF no dia 27 de fevereiro.

Pelo menos 178 concessões em campos maduros de petróleo em terra e águas rasas e profundas estão sendo negociados pela Petrobras, sendo que mais 180 campos também estão na lista para serem entregues.

Mais de 3.500 trabalhadores sem destino

Na Bacia de Campos, a Petrobras tem cerca de 830 trabalhadores próprios e 2.490 terceirizados nas plataformas que operam os campos que estão sendo vendidos. Qual será o destino destes petroleiros? Serão transferidos? Se tornarão prestadores de serviço das multinacionais? A mesma preocupação têm os trabalhadores do Rio Grande do Norte, onde as 34 áreas vendidas empregam atualmente cerca de 80 petroleiros próprios e 120 terceirizados.

O feirão de ofertas da Petrobras inclui ainda campos terrestres e marítimos no Ceará, Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Bacia de Santos.

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"