CULTURA

Morte da primeira-dama negra Ruth de Souza emociona artistas

A atriz Ruth de Souza morreu hoje (28), aos 98 anos, no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo desde a última segunda-feira (22) para tratar de uma pneumonia.

O corpo da atriz começou a ser velado às 8h desta segunda-feira (29) no Theatro Municipal, no Centro do Rio. A cerimônia de despedida será fechada para os familiares até as 10h, quando o espaço será aberto ao público, até as 12h. O enterro será no Cemitério São João Batista, à tarde.

Ruth de Souza é considerada a primeira-dama negra do teatro, do cinema e da televisão brasileira. Foi a primeira brasileira indicada ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional de cinema, com o papel de Sinhá Moça, no Festival de Veneza, em 1954. A atriz foi pioneira em vários aspectos, como a primeira negra a se apresentar no Teatro Municipal do Rio, na peça “O Imperador Jones”, de 1945, e como primeiro protagonista de uma novela, em “A Cabana do Pai Tomás”, em 1969.

Passou pela TV Tupi, pela Record, TV Excelsior e, em 1968, Ruth de Souza foi contratada pela Globo para atuar na novela “Passo dos ventos”, onde interpretou a mãe de santo Tuiá, uma mulher sábia cujos antepassados eram escravos, no Haiti.

O último trabalho da atriz foi na minissérie Se eu fechar os olhos agora, da TV Globo, filmado este ano. Ela foi homenageada no carnaval de 2019 pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz durante desfile da Série A.

O ator Paulo Betti disse que a morte de Ruth é uma grande perda para a cultura do país.

“Ela é uma figura muito importante para a cultura brasileira. Fez o Teatro do Negro. Foi uma pioneira”, disse Betti destacando que acompanhava a “brilhante trajetória” de Ruth na televisão, no teatro e no cinema. “É uma perda. Lamento muito”.

O cineasta e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Cacá Diegues destacou que Ruth de Souza não foi só uma grande atriz, “como também foi um símbolo da ascensão da qualidade do trabalho dos negros, todos grandes atores”.

Contatado pelo portal Uol, o ator Milton Gonçalves chorou ao falar sobre a amiga:

“Há uma semana e meia estávamos lá com um grupo, conversando. Eu sei que a vida é assim, hoje ou amanhã Deus nos chama. Mas nada nos impede de sentir uma tristeza muito grande quando as pessoas vão embora e a gente fica sem a presença física delas”, lamentou Milton, reconhecendo o esforço da atriz para estar com ele naquele momento. “Era muito raro ela sair até por uma questão de [dificuldade de] caminhar, mas ela estava lá”, disse.

 

 

 

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