OPINIÃO

A crise do ABC, a crise do futebol potiguar

Eu, sinceramente, não vejo saída, pelo menos a curto prazo, para essa crise gigante que se instalou no ABC. A única coisa que pode fazer as fofocas, intrigas e maledicências serem esquecidas seriam excelentes resultados em campo, o que por enquanto, pelo menos, não aconteceu. Justamente não se deu por conta da limitação do poder de aquisição de valores que tem o clube hoje, por exemplo, em relação ao seu maior rival, América. E o problema do alvinegro não é Fernando Suassuna, como apregoam abestalhadamente muitos torcedores que infestam as redes sociais com barbaridades.

Sim, é verdade, Suassuna complicou as coisas, piorou o que estava ruim, justamente por ter sido abandonado na hora que ele mais precisava de apoio, foi abandonado ou recusou, fez pouco caso de ajudas que seriam valiosas como a de conselheiros de confiança, ex-presidente Judas Tadeu e outros que, sempre, em qualquer situação, demonstraram querer o bem do clube. A continuidade de Giscar Salton, a demissão de Ranielle, a contratação de dois treinadores – Sérgio Soares e Roberto Fernandes – caros e com contratos longos, depois os reforços que deveriam ter chegado ainda no comando de Ranielle, o pouco caso das dívidas, tudo isso complicou demais a vida administrativa do clube, no caso, responsabilidade sua.

No entanto, precisamos voltar no tempo e constatar que essa avalanche de dívidas, mal maior do ABC, sem dúvida, nada teve a ver com Suassuna. As pessoas esquecem os “nefastos” que passaram pelo clube sem receber uma crítica sequer da imprensa, um aperto da torcida e nem mesmo um torcer de nariz dos cardeais que perseguiram Judas Tadeu, que inviabilizaram Judas Tadeu que, a exemplo de Suassuna, pegou um “barco à deriva”. Parece que nessa terra todos têm medo dos políticos “influentes”, mesmo não tendo esses senhores o respeito, e votos, do torcedor.

Sim, sim, é muito difícil a situação, ainda mais quando o maior rival dá mostras de modernidade, de trabalho inteligente de marketing e transparência. A administração de Leonardo Bezerra tem esse compromisso e com participação da torcida, que é tudo que se deve fazer, justamente o contrário do ABC quando, a gente sabe, o que mais desagradou aos cardeais metidos a donos foi justamente a eleição democrática de Judas Tadeu, o caminho novo que o ABC começava a traçar e que o rival, tenho quase certeza, vai consagrar. O modelo do América está dando certo porque a gestão está deixando de lado o velho, sem desrespeitar, sem brigar, mas apontando para mudanças cruciais (e torcendo para esse sucesso não incomode dentro do próprio clube). O que no ABC, infelizmente, é impossível, já cheguei a essa conclusão e foi o que, definitivamente, provocou toda esse desfecho.

Como a gente sabe, nesses casos, vira, mexe, sai daqui, volta dali, se o resultado não vier cai o treinador e sua comissão, se a crise apertar mais ainda acontece a renúncia de Fernando Suassuna, o que muita gente já deseja, mas, a exemplo do que aconteceu com Judas Tadeu, nada, absolutamente nada vai mudar, pois os mesmos protagonistas das maldades, sem voto, sem vez, ou maioria, vão continuar atrapalhando a vida do clube. Pior de tudo é que é um povo intocável, com influência em todos os setores da província Natal e o jogo segue, e o resultado está na disputa de um Potiguarzão na Série D; com a permanência dos servidores José Vanildo da Silva, parte da imprensa, boa parte, perde o futebol do RN, e compromete, até mesmo, o América no seu belo  projeto de modernidade.

Tudo está relacionado. Os anos de atraso do América, com o intervalo da administração Padang, o anos de atraso do ABC, com pequenos intervalos de bons anos de Judas e, devo dizer, Rubens Guilherme (começo),  o mandato sem fim de José Vanildo da Silva, a falta de estádios, a falta de valorização do torcedor e agora esse “nariz empinado” desse povo da Arena das Dunas maltratando o consumidor e dando as cartas, sim, dando as cartas,  dá o exato, matemático resultado de um assunto subjetivo, incoerente?, parece, de nossos principais clubes na quarta divisão do Brasil.

E é sempre bom lembrar, já que todo mundo parece ter esquecido,  um centenário Alecrim fora do campeonato estadual, assim como tradicionais Baraúnas, Corínthians, Santa Cruz, Potyguar de Currais Novos, entre tantos outros, e o centenário Estádio Juvenal Lamartine, que esse ano vai completar seu centenário, talvez, o retrato mais fiel do momento absurdamente negativo que vivemos. Tudo tem a ver.

 

 

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Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos