OPINIÃO

Ainda prefiro ver o Flamengo jogar

Vou desagradar, de novo,  a turma anti-Flamengo, mas acho que estou coberto de razão. Assisti uma partida do PSG, contra o Reims, 3 a 0 para o time de Neymar. Ainda não vi grande atuação do brasileiro, discretíssimo, muito longe do genial que a gente conhece. O melhor dele foi o passe de bunda. PSG vai bem, muito mais forte que qualquer outro francês. Neymar e Mbappé longe de algo acima do normal.
Também vi a vitória, agoniada do todo poderoso, elevado às alturas, ao exagero de Juca Kfouri e toda a rapaziada que, sem saber, estão com seus vírus de viralatice correndo no sangue, do  Liverpool sobre o Wolves, agoniada. Não vi anda demais. Algumas jogadas manjadas, dribles bonitos, mas comuns do Salah. O gol de Firmino que elevaram à categoria de golaço e o adversário, incompetente nas finalizações.
Quero dizer que fiquei com saudade de ver o Flamengo jogar. O rubro-negro que vem elegante, rápido, preciso descendo a ladeira com Rafinha, Everton Ribeiro por um lado, ou Gerson, Filipe Luís e De Arrascaeta, ou Diego, pelo outro. Toque de bola à moda nossa, com qualidade e compromisso somente com a busca do gol.
Saudade das arrancadas de Bruno Henrique, de seus desmantelados dribles, piques e subidas acima do normal. Sentindo falta das finalizações precisas do Gabigol e da modernidade do volante Arão, que ninguém enxerga porque nunca jogou na Europa (ou jogou?) e chega na frente fazendo gol de cabeça, incomodando defensores.
Vou continuar teimando, insistindo, pois gosto muito mais de ver o Flamengo jogar que todos esses grandes europeus elevados à quinta potência do exagero e dos gritos histéricos de narradores e análises de comentaristas deslumbrados. Gostaria, juro, de enxergar o as maravilhas que eles atestam para telespectadores que, comum acontecer, embarcam nessa viagem maravilhosa de perfeição que, afianço, está no entorno, no todo do espetáculo de organização e beleza.
Como sempre acontece, depois dos maravilhados comentários, mesmo de caras acostumados a verem jogadores especiais, os mais antigos jornalistas esportivos do Brasil, veteranos de Copas do Mundo, vamos chegar a mais uma Copa do Mundo com um monte de “craque” para a gente ver em ação e sentir o tamanho da decepção ou das decepções. Os genias não são lá essas coisas quando precisam resolver a parada nas dificuldades de poucos talentos do lado.
Não diria que acontece sempre o desencanto como Messi na Argentina, ele eu entendo, respeito, mas constatamos que para ser elevado ao status de classificação de nossos comentaristas narradores, jogadores como Cristiano Ronaldo, Salah, Hazard, Griezman, Virgil van Dijk, Mané, Neres, Daniel Alves, Firmino e até mesmo Mbappé e Neymar precisariam fazer muito mais quando não estão em campo cercados por uma seleção de todas as seleções nos seus clubes milionários.
Não, vou morrer acompanhando futebol e sem enxergar, tenho certeza, esse esplendor dos estrangeiros que faz um Juca Kfouri, quase todos os dias, caprichar nos textos de apologia aos reds. Não! Um grande time, sim, mas nada que ultrapasse os limites de organização tática, vantagem de jogar junto há muito tempo e toda a condição da estrutura do Liverpool, melhor time do mundo, para eles, pois ainda sou mais Flamengo.
Por fim, nunca vou acreditar em projetos de clubes brasileiros que continuam a apostar em ex-jogadores em atividade, ou “talentos” que brilharam nos vizinhos nossos de cada dia que, quando aqui chegam, também não sei por quantas “cargas d`água” são elevados à condição de craques. Não existe um lugar no planeta Terra onde se dê tanto valor ao que vem de fora. Basta lembrar que Maxi Biancuchi foi ídolo do Flamengo; Guiñazu do Internacional (D´Alessandro ainda é), e o Palmeiras pagou salários de R$ 800 mil para ter Borja no seu elenco, entre outras mais de 100 aberrações
Repito meu mantra: não precisamos de jogadores estrangeiros, não nessa quantidade, precisamos, isso sim, de treinadores e dirigentes que façam realmente um trabalho revolucionário de gestão administrativa, a exemplo do Flamengo (de novo o exemplo) e que essa revolução faça explodir nossas bases na revelação dos tantos valores que perdemos por falta de tudo que não temos nessa mais importante categoria do futebol. Preparemos nossos meninos, dos pés à cabeça, aí sim, podem soltá-los em campo ou vender para a Europa, duvido que precisássemos tanto importar caríssimos ex .

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Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos