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“Não seremos intimidados por essas tentativas tirânicas”, diz Glenn Greenwald sobre denúncia do MPF

O jornalista e editor do site The Intercept Brasil Glenn Greenwald e outras seis pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal por invasão de celulares de autoridades brasileiras. A ação ocorre por meio da Operação Spoofing, deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2019, com o objetivo de investigar invasões às contas de Telegram de autoridades brasileiras e de pessoas relacionadas à operação Lava Jato.

As mensagens vazadas deram início à série de reportagens intitulada Vaza Jato, publicadas pelo The Intercept Brasil, site do qual Glenn é fundador e que revelou diversas irregularidades na Lava Jato, dentre elas a cooperação entre o Procurador da República e coordenador da força tarefa Deltan Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

Na denúncia feira pelo MPF são apontadas a prática de organização criminosa, lavagem de dinheiro, bem como as interceptações telefônicas traçadas pelos investigados.

O jornalista Glenn Greenwald foi denunciado, ainda que não tenha sido investigado nem indiciado pela Polícia Federal. Para o MPF, ficou comprovado que ele “auxiliou, incentivou e orientou o grupo criminoso durante o período das invasões”. O Ministro do STF Gilmar Mendes chegou a proibir apurações sobre a atuação do jornalista, afirmando que Glenn deveria ser afastado de acusações devido à proteção do sigilo da fonte, garantido pela constituição.

A denúncia foi assinada pelo procurador da República Wellington Divino de Oliveira e relata que a organização executava crimes cibernéticos por meio de três frentes: fraudes bancárias, invasão de dispositivos informáticos como celulares e lavagem de dinheiro.

O MP declarou em nota que foi encontrado em um computador apreendido um áudio que tornara a denúncia legítima. O Macbook foi embargado na casa de Walter Delgatti, apontado como líder do grupo e o referido áudio seria entre Greenwald e o hacker Luiz Molição. “Molição deixa claro que as invasões e o monitoramento das comunicações telefônicas ainda eram realizadas e pede orientações ao jornalista sobre a possibilidade de ‘baixar’ o conteúdo de contas do Telegram de outras pessoas antes da publicação das matérias pelo site The Intercept”, explicou o MPF.

Sobre a denúncia, o jornalista publicou uma nota em que diz estar vivenciando um “ataque à liberdade de imprensa, ao STF, às conclusões da Polícia Federal e a democracia”. Confira a nota.

 

 

Com informações do Portal Metropoles

 

 

 

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Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.