RN terá primeiro Ambulatório de atendimento à Travestis e Transexuais
Natal, RN 16 de jun 2024

RN terá primeiro Ambulatório de atendimento à Travestis e Transexuais

23 de janeiro de 2020
RN terá primeiro Ambulatório de atendimento à Travestis e Transexuais

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O primeiro ambulatório com atendimento especializado para pessoas transexuais e travestis do Rio Grande do Norte será inaugurado ainda em janeiro. Com a finalidade de garantir saúde integral para essa população, a Secretaria de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEMJIDH) junto à Secretaria de Saúde Pública  (SESAP), articulados com representantes do movimento LGBTQIA+ do Estado, vêm discutindo a proposta, que significa uma conquista histórica para a defesa dos direitos sociais de transexuais e travestis potiguares.

A inauguração do ambulatório está confirmada para 31 de janeiro, logo após o Dia Nacional da Visibilidade de Transexuais e Travestis (29). Será o quarto consultório específico para a população trans localizado no Nordeste. Paraíba, Pernambuco e a Bahia são os estados pioneiros na região. Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais também já tem espaços de atendimento à saúde para a população trans.

A sede inicial do ambulatório funcionará no Hospital Giselda Trigueiro, por ser a unidade que se assemelha melhor aos requisitos impostos pelo Ministério da Saúde, nas portarias n° 2836 de 01 de dezembro de 2011 e n° 2.803 de 19 de novembro de 2013 que discorrem respectivamente quanto à Política Nacional de Saúde Integral LGBT e ao Processo Transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS). As referidas regulamentações requerem que o hospital tenha uma equipe preparada para atender sobretudo a população Trans e Travesti, contando com profissionais capacitados e de diversas áreas, que, juntas, serão responsáveis pelos atendimentos.

De acordo com a Sesap, o ambulatório funcionará com atendimento às segundas-feiras, no turno da tarde, e atenderá as demandas características dessa população, como a hormonioterapia e acompanhamento clínico pré-operatório. Uma equipe multiprofissional atuará na clínica, especialidades como ginecologia, urologia, infectologia, proctologia, dermatologia e mastologia serão contempladas.

"Além desses atendimentos que já temos confirmados, pensamos também em ampliar a equipe para garantir o acesso e cuidado integral de acordo com as necessidades do usuário ou usuária, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde. Funcionários que já compõem o quadro funcional do Giselda Trigueiro também estarão disponíveis para serviços de especialidades como Cardiologia, Psiquiatria, Dermatologia e Ortopedia, entre outras", explica a Coordenadora de Redes de Atenção à Saúde da SESAP, Samara Dantas.

Nesta quinta-feira (23) a equipe técnica que atuará no ambulatório participou de uma capacitação que segue até sexta, no auditório do Instituto de Medicina Tropical (IMT), sobre os protocolos de hormonioterapia e as especificidades da saúde da população Trans e Travesti. Estão sendo contemplados profissionais dos municípios de Natal, Caicó e Mossoró.

Para a Coordenadora de Diversidade Sexual e de Gênero da SEMJIDH, Janaína Lima, essa é uma vitória que é fruto de lutas de cerca de 10 anos travadas por diversas organizações do movimento LGBTQI+. "Nós sempre precisamos, como qualquer outra pessoa, de políticas públicas voltadas para nós, que atendam nossas demandas e sejam de fato, representativas. Não falo de fóruns, coletivos, congressos e reuniões, mas de ações concretas", conta a jornalista e mulher trans.

Em 20 de janeiro foi realizada uma reunião entre as secretarias e organizações da sociedade civil em que se definiu a data de inauguração do ambulatório. "Em reunião nós discutimos a proposta, acolhemos sugestões e definimos que a inauguração do ambulatório acontecerá no próximo dia 31 de janeiro, em alusão ao dia Nacional da Visibilidade de Transexuais e Travestis, estabelecido em 2004 e comemorado no dia 29 de Janeiro. Em uma semana histórica, daremos início também a uma política pública sempre reivindicada que agora será atendida e esse é só um dos passos dessa luta", diz Janaína.

É comum que os centros de atendimento à população LGBTQI+ leve o nome de um lutador ou lutadora do movimento. Quanto ao nome ainda não existe consenso e foram apresentadas pela sociedade civil quatro possibilidades, dentre elas o nome de Leilane Assunção, primeira professora universitária transexual do Brasil, que faleceu em 2018.

Também em alusão a memória de Karla Munique, Viviane Gonçalves e Murilo Gonçalves como lutadores pelos direitos da população LGBT, uma enquete está aberta para definir o nome do ambulatório. O formulário para votação pode ser acessado aqui e estará disponível até o dia 26/01.

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