OPINIÃO

Sobre Nazismo, corrupção na Secom e protestos paralelos

O assunto do final de semana passada foi o famigerado discurso do então Secretário de Cultura do (des)governo Bolsonaro, Roberto Alvim, que citava Goebbels e exibia toda uma simpatia mal disfarçada pelo Nazismo. Os protestos começaram com rapidez e a pressão para defenestrá-lo do cargo foi forte, envolvendo até mesmo os presidentes da Câmara e do Senado e gente conservadora e elitista do quilate de Luciano Huck. Não deu outra. Menos de 24 horas após o malfadado vídeo pronunciamento o homem caiu!

Colaborei com a pressão e indignação contra o sujeito, pelas redes sociais e divulgando a gravidade do que ele tinha feito e falado.

Curiosamente, nos meus posts, muita gente querida e progressista, pessoas que admiro e com quem já marchei junto, pulou para me dar “puxões de orelha”, registrando que enquanto estávamos preocupados com o Nazismo do Alvim, esquecíamos o escândalo de que a FW Comunicação, do chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República, Fabio Wajngarten, recebe dinheiro de emissoras de televisão e de agências de publicidade com as quais o governo tem contrato. Ou seja, propina e mamata. Corrupção.

Nas redes de maneira geral, principalmente Twitter, percebi muita gente progressista apontando esse fato e reclamando que Alvim na verdade era uma cortina de fumaça (mais uma!) do (des)governo, para blindar Wajngarten.

Mas, espera aí, Nazismo como “cortina de fumaça”? Talvez, então, eles tenham ido longe demais nesta estratégia.

Ou talvez não seja firehosing, como se diz. Talvez as bizarrices e absurdos do artista nazista, de Damares e Weintraub, por exemplo, sejam orgânicos, naturais, não uma parte do diábolico plano conservador de Steve Bannon para esquecermos as maldades de Bolsonaro & filhos e principalmente Paulo Guedes.

Mas, ainda que Alvim se submetesse a ser queimado como “cortina de fumaça” para abafar o caso da Comunicação… deveríamos ignorar o fato de que ele e sua Secretaria celebram ideias nazistas? Que querem uma Cultura “verdadeiramente brasileira e cristã”.

Por que teríamos de ignorar algo tão grave para nos dedicarmos exclusivamente a indignarmos com Wajngarten e sua mamata?

Na verdade, porque toda vez que progressistas protestam contra algo ou alguém, outras pessoas progressistas, igualmente inteligentes e bem intencionadas como as primeiras, têm que, imediatamente, passar sermão de que aquela não é a indignação certa a ter no momento, mas sim, aquele outra?

Poderia até lançar um desafio filosófico-social: Corrupção é mais grave que simpatia pelo Nazismo? Rachadinhas são mais graves do que uma política pública de repressão sexual e desestímulo á prevenção?

Quando foi exatamente que nós decidimos que podemos ter apenas uma indignação por vez e protestar contra um absurdo por vez?

É possível ter trincheiras de luta paralelas. Mas, parece que, inebriados com as redes sociais e com o Zap, esquecemos disso. Concentramo-nos no assunto do momento, inclusive com todos os memes e piadas que eles geram. Que, na minha humilde opinião, desqualificam o protesto e “normalizam” o absurdo que estamos combatendo.

Enfim, guerra se trava, como já dito, em diversas trincheiras, não há necessidade de se cobrar indignação única e exclusiva contra o absurdo do dia.

E, para voltar ao foco das tais “cortinas de fumaça”, lembro o ditado popular: Onde há fumaça, há fogo!

 

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