Ciro sobe o tom, ataca Bolsonaro, defende repressão e diz que fascismo não se enfrenta com flores
Natal, RN 22 de jun 2024

Ciro sobe o tom, ataca Bolsonaro, defende repressão e diz que fascismo não se enfrenta com flores

20 de fevereiro de 2020
Ciro sobe o tom, ataca Bolsonaro, defende repressão e diz que fascismo não se enfrenta com flores

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O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) subiu o tom em entrevista coletiva nesta quinta-feira (20), em Fortaleza, um dia depois do irmão dele, o senador Cid Gomes, ser alvejado com dois tiros de pistola .40 em Sobral ao tentar entrar com uma retroescavadeira no quartel da Polícia Militar da cidade. O local estava tomado por policiais militares armados, a maioria encapuzados e em barricada.

Para Ciro, o motim dos policiais em Sobral, cidade-natal dos Ferreira Gomes, não foi por acaso, mas uma provocação a ele:

“Isso não aconteceu por acaso, o Ceará tem 184 municípios e foi lá em Sobral, que é pra me puxar, como provocação”, disse.

O ex-candidato à presidência da República que governou o Ceará entre 1991 e 1994 destacou que o que aconteceu em Sobral tem relação com outros casos de agressão que vêm ocorrendo no país. E colocou na conta do presidente Jair Bolsonaro e da família dele o clima de barbárie no Brasil:

- (Os tiros contra Cid Gomes) não está isolado do que está acontecendo no Brasil, a destruição do estado de direito democrático no país, liderado por um presidente boçal, canalha, de uma família de canalhas. Se algum policial atirou não faria isso se não fosse esse clima de absoluto desrespeito às regras e foi claramente estimulado pelo presidente da República Jair Bolsonaro, o maior canalha de todos”, afirmou.

Repressão

Questionado sobre alternativas para a crise na Segurança Pública do Ceará, Gomes disse que só crê na repressão como saída a curto prazo:

- Infelizmente só tem uma saída depois que esse quadro de anarquia se instala: é a repressão, não há outro. E não tenho nenhum prazer em dizer isso. Sou uma pessoa que dedico a vida inteira a lutar pela melhoria de vida dos trabalhadores e não seria eu que ia desmerecer uma luta, seja de quem for, por melhoria de salário porque a vida é dura para todo mundo. Mas não se trata disso. Só por cima do nosso cadáver as milícias dominarão o Ceará”, disse.

Sobre as críticas endereçadas a Cid Gomes em razão do uso da retroescavadeira para tentar acabar com o motim em frente ao quartel da PM em Sobral, Ciro defendeu a atitude do irmão:

- Vamos nos por no lugar dele. Ele é um político que não ficou trancado no gabinete, não ficou mandando recado nem fazendo twitterzinho na internet. Ele avisou que ia para lá para restaurar a ordem, em paz, desarmado. Antes daquilo, nós temos a imagem toda, ele levou um soco no rosto antes, quando estava com um megafone. Ele é um senador da República que como qualquer pessoa ou autoridade tem o direito de ir e vir. Aquilo é uma via pública que uma minoria impedia que a maioria fosse trabalhar”, disse, antes de mandar uma recado para o que ele chama de “esquerda bandida”:

“Se os elegantes da política brasileira e dessa esquerda bandida que infelizmente também existe no Brasil consideram que faltou elegância eu quero saber se eles acham que o fascismo se enfrenta com flores. Nós aqui vamos enfrentar com a arma que for necessária”, encerrou.

O motim e a quase tragédia  

O Governo do Ceará e os sindicatos dos agentes de Segurança chegaram a um acordo em 13 de fevereiro sobre o reajuste salarial, principal reivindicação da categoria. Pela negociação, o salário inicial de um soldado subiria para cinco salários mínimos, valor maior do que recebe um professor no Estado. A categoria, no entanto, rejeitou o acordo. A partir dali, policiais militares passaram organizar atos de vandalismo no Estado. Mais de 300 inquéritos contra PMs já foram abertos contra policias. Há informações de que milícias estariam por trás da maioria dos motins nos municípios. Uma das cidades tomadas foi Sobral, berço político de Ciro e Cid Gomes.

Na manhã da quarta-feira, o senador Cid Gomes gravou um vídeo informando à população que chegaria ao município por volta das 16h e pediu que os moradores fossem recepcioná-lo. Sentado numa retroescavadeira, Cid se dirigiu ao Quartel da PM, onde haviam policiais encapuzados formando uma barricada. Num vídeo caseiro que circula pela internet, Cid aparece dando um prazo de 5 minutos para que os policiais saiam do quartel e liberem a via.

Como a "ordem" não foi obedecida, ele avançou com a retroescavadeira para cima dos PMs. Em meio à gritaria e tumulto, são disparados vários tiros na direção do senador e do chefe da guarda municipal de Sobral. Dois tiros acertam o peito de Cid Gomes, que é levado ensanguentado para o hospital. Após se submeter à cirurgia para retirada de uma das balas, o senador foi encaminhado para um hospital em Fortaleza, onde se recupera e não corre risco de morte.

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