A redução de adoecimentos no trabalho passa por uma decisão do gestor, avalia especialista
Natal, RN 16 de jun 2024

A redução de adoecimentos no trabalho passa por uma decisão do gestor, avalia especialista

5 de março de 2020
A redução de adoecimentos no trabalho passa por uma decisão do gestor, avalia especialista

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Com o aumento de casos de trabalhadores acometidos com doenças laborais causadas por movimentos repetitivos, excesso de peso e situações precárias de trabalho, a Superintendência Regional do Trabalho no Rio Grande do Norte (SRTb-RN) realizou na manhã desta quinta-feira (5) seminário para gestores com foco na prevenção de doenças laborais como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e/ou os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort). Segundo dados do IBGE, 3,5 milhões de trabalhadores brasileiros disseram já ter sido afetados por doenças laborais desse tipo.

Atividades semelhantes aconteceram em SRTb´s de todo o país e marcaram as mobilizações em torno do Dia Internacional de Combate às LER/Dort, celebrado no último dia 28 de fevereiro. Em Natal, a atividade teve como foco apresentar o uso da ergonomia como instrumento para melhorar a eficiência das empresas, humanizar o processo de trabalho e reduzir a ocorrência de doenças laborais.

Gestores de áreas onde o adoecimento por  LER/Dort são mais comuns, caso de supermercados e empresas de telemarketing, por exemplo, acompanharam a palestra do Auditor Fiscal do Trabalho e integrante da SRTb-RN, Moizés Martins Junior. Para um auditório lotado, Moizés, que também é Doutor em Ergonomia, explicou os conceitos e casos reais onde a prática ajudou a melhorar as relações de trabalho. Ainda pouco difundida no ambiente laboral, a ergonomia vai muito além da mudança de mobiliário e cadeiras, e busca maneiras de adaptar positivamente o trabalhador ao ambiente de trabalho, reduzindo os impactos da realização de suas funções laborais.

“Nos últimos 100 anos avançamos em técnicas que conseguem melhorar a realização do trabalho, a ergonomia é uma delas. As pessoas entram para o local de trabalho com sua saúde preservada, tem produtividade e eficiência e saem saudáveis. Agora, é preciso que haja um processo de decisão dos gestores para adoção dessas práticas”, concluiu Moizés.

O seminário também esclareceu que a adoção de práticas ergonômicas não está associada apenas ao uso de equipamentos de proteção individual e a realização de atividades de ginástica laboral, comumente adotados nas empresas, mas passa também pelo fortalecimento dos espaços dedicados à segurança do trabalho e pelo abandono de práticas laborais arcaicas, mais ineficientes e perigosas.

Adotar práticas ergonômicas, reduzindo o adoecimento laboral, passa por um processo de decisão dos gestores e empresários. A manutenção de rotinas de produção que favorecem o adoecimento acabam gerando impactos econômicos negativos para as empresas e para o estado brasileiro, que arca com a assistência em saúde e seguridade social para os trabalhadores. Por parte dos gestores presentes no auditório da SRTb-RN, a iniciativa do seminário foi considerada positiva e ajuda a pensar mudanças nas empresas.

“A partir desse seminário, vamos encaminhar para levar o que aprendemos aqui para todos os níveis, tanto de gestão quanto os níveis operacionais. Quando a gente busca soluções em ergonomia, ajudando a saúde dos trabalhadores, por tabela também ampliamos a produtividade”, afirmou João Marinho, gerente executivo da Associação de Supermercados do Rio Grande do Norte (ASSURN).

O seminário realizado nesta quinta-feira faz parte de um calendário de ações que a SRTb-RN realizará durante todo o ano, e contou com apoio Delegacia Sindical do  Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT). O Superintendente do Trabalho no Rio Grande do Norte, Éder Nobre Praxedes, destacou que o evento surpreendeu pela adesão dos gestores, que mostraram disposição para atuar de maneira preventiva, levando a conscientização sobre LER/Dort para suas empresas.

A adesão foi imensa. Estamos satisfeitos, pois isso demonstra a credibilidade da instituição com relação ao mercado de trabalho, principalmente pela presença dos gestores das atividades econômicas que elegemos como prioritárias para essa temática. As pessoas que estão presentes aqui são capazes de tomar decisões que modificam a realidade, evitando o adoecimento dos trabalhadores”, concluiu Éder.

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