Empresário sugere incentivo aos produtores locais como reação aos efeitos do Coronavírus
Natal, RN 13 de jun 2024

Empresário sugere incentivo aos produtores locais como reação aos efeitos do Coronavírus

19 de março de 2020
Empresário sugere incentivo aos produtores locais como reação aos efeitos do Coronavírus

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Com um caso confirmado e 108 suspeitos no Rio Grande do Norte, o medo do coronavírus já afeta o comércio de produtos e serviços da cidade. Lojas, cafés, restaurantes e shoppings já estão mais vazios e diversos de eventos de lazer, cultura e entretenimento foram cancelados e adiados. Em nível nacional já foram confirmadas cinco mortes pelo vírus no país.

Na terça-feira (17), o Governo do Estado reuniu-se com representantes das principais entidades empresariais e de trabalhadores para discutir as medidas que serão implementadas e avaliar os impactos nos setores. Com um número menor de consumidores circulando em ambientes públicos, principalmente fechados ou com horário reduzido, como shopping centers, as consultas para vendas locais não têm dados de diminuição até o momento, no entanto, é questão de tempo para que a situação esteja fora de controle.

No encontro com a governadora Fátima Bezerra, o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Norte Afrânio Miranda sugeriu que o Governo incentive, por meio de campanhas publicitárias, as alternativas que os comerciantes tem encontrado para não perderem completamente suas vendas.

"O serviço de delivery, venda pelos aplicativos ou redes sociais é importante para que as pessoas não quebrem o regime domiciliar e funciona. Também é preciso incentivar os produtores locais, tanto por questões de risco, quanto para que nossa economia não quebre diante dessa pandemia", sugere o presidente do FCDL, que também propôs ao Estado o parcelamento de impostos para diminuir as contas e o prejuízo dos lojistas.

Pandemia

De acordo com Miranda, já antevendo os efeitos da pandemia do Coronavírus, para o comércio passar um mês com faturamento bem baixo é um caos:

"A queda nas vendas, na circulação pelas lojas faz com que o sustento dos comerciantes e empresários esteja comprometido, que os salários e empregos dos funcionários estejam em risco, como é que podemos pagar as equipes sem retorno financeiro? Ao mesmo tempo temos que ver o lado humano, também não teremos nossos negócios se não tivermos saúde", disse o empresário.

Afrânio Miranda é presidente do CDL (foto: Divulgação)

Quanto aos shoppings, a rede nacional de Lojistas pretende avaliar junto aos proprietários do segmento uma possível negociação para os aluguéis de espaço, já que a circulação diminui a cada dia e isso impacta diretamente nas vendas.

O Midway Mall, o Praia Shopping e o Natal Shopping mudaram seus horários de funcionamento para atendimento ao público, reduzindo em 4 horas por dia o período em que ficam abertos. A medida passou a valer a partir da quarta-feira (18) e os três empreendimentos já abriram às 12h e fecharam as portas às 20h. São 577 os shoppings em todo o Brasil, que recebem 502 milhões de visitantes/ano, com faturamento de R$ 192 bilhões. Neles, 87% são lojas satélites. O segmento varejista de shoppings emprega diretamente 1,102 milhão de pessoas.

Ainda de acordo com Afrânio Miranda não estão contabilizados os dados de prejuízo ao comércio local, porém, alguns relatos apontam perdas significativas para as lojas.

"Existem situações aqui de empreendimentos que tiveram uma queda de 80% no seu faturamento mensal. Imaginem você vender 20% do que é acostumado a vender. Isso faz com que o governo deixe de arrecadar, que as lojas entrem em risco de falência e o desemprego tem grandes chances de aumentar. Infelizmente, para além das alternativas que já estamos trabalhando, não há outra saída além da recuada do ´Coronavírus", relata Miranda.

Além do reforço nos deliverys e redução nos horários de funcionamento de shoppings, lojas e centros comerciais, alguns postos de trabalho adotaram regime de home office, reforço nos hábitos de limpeza para os estabelecimentos que continuam abertos e antecipação de férias para funcionários. Bares e restaurantes também anunciaram redução de mesas, para evitar aglomeração de pessoas. Em cidades como Porto Alegre e Goiânia, o fechamento das atividades comerciais foi decretado pela Prefeitura.

Campanha de valorização

Manoel Santa Rosa (Sicoob-RN) e pretende encabeçar uma campanha de valorização do produto local (foto: Vlademir Alexandre)

O presidente do Sicoob-RN Manoel Santa Rosa pretende encabeçar uma campanha publicitária em defesa da valorização do comércio local. A partir da cooperação, segundo ele, o fortalecimento dos negócios locais demonstra responsabilidade com a comunidade:

"O Sicoob acredita na coesão social da comunidade onde estamos inseridos. Estamos convictos que os valores da solidariedade e da cooperação será mais forte. E que iremos juntos unir forças e os laços sociais mesmo nas distâncias e nas diferenças. Fortaleceremos os negócios locais e valorizaremos aqueles que demonstrarem o cuidado e a responsabilidade com o outro e com a nossa comunidade. O Sicoob, por princípio, valoriza a cooperação, clama a união de forças para fazermos a diferença e voltarmos à normalidade", conta Santa Rosa.

Sobre a ação a ser desenvolvida, o presidente da FCDL RN Afrânio Miranda, disse que as iniciativas de fomento a compra dentro do Estado são necessárias e acarretam em benefícios para a economia e para os empreendedores.

"No estado em que o consumidor faz a compra, os impostos ficam retidos e podem ser direcionados a serviços de educação, saúde e segurança por exemplo. Sem falar que a compra dentro do RN é mais segura, os produtos não correm risco de extravio, por exemplo. As pessoas precisam saber cada vez mais desses aspectos, ter informação através de campanhas como essa, para de fato valorizar as produções locais", afirma.

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