A cada 10 dias, em média, uma mulher foi vítima de feminicídio no RN em 2020
Natal, RN 22 de jun 2024

A cada 10 dias, em média, uma mulher foi vítima de feminicídio no RN em 2020

5 de março de 2020
A cada 10 dias, em média, uma mulher foi vítima de feminicídio no RN em 2020

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Somente em março, mês marcado por ações de luta pelo Dia Internacional da Mulher, dois casos de feminicídio foram registrados no Rio Grande do Norte. No primeiro dia do mês, Karla Simone, de 30 anos, foi encontrada morta em um motel, na cidade de Taboleiro Grande, região Oeste do Rio Grande do Norte. Segundo investigações, o crime foi cometido em razão do agressor não aceitar o fim do relacionamento com a vítima.

No mesmo dia, Ielda Railene, de 30 anos, foi assassinada pelo seu marido, em Taipu. O criminoso José Carlos de Lima confessou ter agido por ciúmes. Esses são dois dos seis casos de feminicídio ocorridos e registrados no Rio Grande do Norte nesses pouco mais de dois meses. Em média, pelo menos uma mulher foi morta a cada 10 dias em território potiguar. De acordo com a Polícia Civil do Estado, no mesmo período do ano passado, sete casos ocorreram. A investigação dos casos é feita pela Divisão Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

De acordo com a titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM) Ana Gadelha, a maioria dos casos de feminicídio acontecem quando a mulher tenta dar um basta em um relacionamento abusivo e violento.

“A cultura do machismo faz com que exista um sentimento de posse por parte do homem, que se torna agressor, quando a mulher quer quebrar o ciclo de violência, é que a fatalidade pode acontecer“, explica a delegada.

Ainda de acordo com Ana, a mulher que procura as delegacias especializadas tem maiores chances de sobreviver a esses ciclos violentos, já que existem programas de prevenção, encaminhamentos para acompanhamento psicológico e abertura de processos de medida protetiva.

“É possível notar que hoje em dia a procura pelas unidades especializadas em atendimento à mulher aumentou, justamente por esse caráter protetivo que as delegacias tem“, comenta.

No mês de março, dedicado à conscientização e prevenção contra a violência de gênero, as ações de prevenção são intensificadas e reforçadas. A DEAM da Zona Norte de Natal, por exemplo, recebeu m reforço de pessoal para atender as possíveis demandas.

Redução

O número de feminicídios diminuiu 30% no Rio Grande do Norte em 2019 num comparativo com o ano anterior. Ao todo, 21 mulheres foram mortas no Estado por serem mulheres. Em 2018, foram 30 casos. De acordo com a Subsecretária de Políticas para as Mulheres do Governo de Estado, Carla Tatiane, a redução nos casos é fruto de um trabalho integrado, como a criação do plantão 24h na DEAM. Porém, é necessário reforçar a conscientização quanto à importância da denúncia.

“A violência contra a mulher é subnotificada, nem sempre os dados retratam os fatos pois existem mulheres que não denunciam por medo de sofrerem mais agressões, o feminicídio é o último estágio do processo de violência contra a mulher, a vítima passa por um ciclo de violências. Por isso, é tão necessário ampliar o trabalho protetivo e de incentivo à denúncia“, disse a subsecretária.

Delegacia especializada

Atualmente, dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, apenas quatro possuem delegacias especializadas da Mulher: Natal, Mossoró, Parnamirim e Caicó. Em Natal são duas, uma na Zona Norte e outra na Zona Sul.

Ao chegar nas unidades, a vítima relata a violência sofrida ao registrar a denúncia e pode obter medida protetiva ou não, a depender de sua necessidade. O agressor também é chamado para prestar esclarecimentos e ser orientado a se manter afastado da vítima. No caso de violação da medida protetiva, deve ser encaminhado a reclusão.

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