Mulheres cobram fim do feminicídio, combate ao fascismo e legalização do aborto
Natal, RN 25 de jun 2024

Mulheres cobram fim do feminicídio, combate ao fascismo e legalização do aborto

9 de março de 2020
Mulheres cobram fim do feminicídio, combate ao fascismo e legalização do aborto

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Em referência ao Dia Internacional de Luta das Mulheres, uma vasta agenda de atos movimenta diversas cidades. No dia seguinte à manifestação feminista da Frente Brasil Popular no RN, mulheres de várias entidades sindicais e movimentos sociais foram às ruas em Natal, nesta segunda -feira (09), na Cidade Alta.

Com cartazes que ilustravam reivindicações pelo fim do feminícidio, pela garantia do direito feminino ao próprio corpo com a legalização do aborto e sobretudo, dizendo não à política fascista do Governo Bolsonaro, movimentos como o Movimento de Luta nos Bairros, União das Mulheres Brasileiras e partidos políticos como PSOL, PSTU, PCB e POR e UP estiveram no ato. A vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros em 14 de março de 2018, também foi lembrada.

Para a militante da Unidade Popular, Samara Martins, a violência contra a mulher chega hoje a uma realidade absurda e inaceitável. No Rio Grande do Norte, por exemplo, sete casos de feminicídio foram registrados até o início de março, um deles cometido no próprio dia 8 de março.

"Não podemos mais aceitar que nenhuma mulher morra nesse país como acontece todos os dias, porque fecham os olhos para o machismo, para o racismo e para a LGBTfobia que acontece no Brasil. Mas nós mulheres do país inteiro dizemos que não vamos aceitar essa realidade. E também não vamos aceitar fascista com seus discursos de bonzinhos dizendo que são cristãos, porque Jesus estava ao lado dos oprimidos, não era um messias de arma na mão", disse Samara.

O aborto legal e seguro é uma das principais pautas feministas. Cartazes, palavras de ordem e paródias fizeram referência ao direito ao próprio corpo e memória de mulheres que morreram em razão de procedimentos inseguros.

De acordo com a militante do Coletivo Pão e Rosas, Marie Reisner, a maternidade é garantida às mulheres, mas seu direito de dizer não a isso é negado.

"Hoje nós também precisamos lembrar que somos donas dos nossos corpos e precisamos ter direito garantido sobre eles. A defesa do aborto legal e seguro é uma demanda mínima para assegurar vida as mulheres, para que a gente pare de morrer em abortos clandestinos", reivindica a ativista, estudante de Ciências Sociais da UFRN.

Ilegalidade cara e perigosa

No Brasil, o acesso ao aborto é restrito e é permitido somente em casos de estupro (até 22 semanas), risco de morte para a mãe e o bebê e fetos com anencefalia, essa última conquistada em uma decisão do Supremo Tribunal Federal em 2012. No país, 176 hospitais são autorizados a fazer o procedimento nesses casos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aborto farmacológico com o medicamento até as 12 semanas de gravidez.

A criminalização do aborto torna o procedimento além de caro, inseguro. De acordo com dados do Ministério da Saúde apresentados em 2018 no Supremo Tribunal Federal, uma mulher morre a cada dois dias por aborto inseguro no Brasil. No entanto, esse número tem grandes chances de ser tanto inconsistente, quanto bem mais elevado, já que dada a criminalização, há mulheres, principalmente pobres e marginalizadas, que morrem sem procurar qualquer serviço de saúde, sem ao menos fazer parte das estatísticas.

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