Imprensa sofreu quase 11 mil ataques diários pelas redes sociais no Brasil em 2019
Natal, RN 22 de mai 2024

Imprensa sofreu quase 11 mil ataques diários pelas redes sociais no Brasil em 2019

12 de março de 2020
Imprensa sofreu quase 11 mil ataques diários pelas redes sociais no Brasil em 2019

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

A imprensa brasileira foi alvo em 2019 de quase 11 mil ataques diários no Brasil. Os dados foram divulgados na quarta-feira (11) pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão. O relatório ABERT sobre violações à liberdade de expressão destaca que os ataques representaram, em média, 7 agressões por minuto contra jornalistas e veículos de mídia.

A empresa de consultoria Bites foi responsável pelo monitoramento digital no ano passado. De acordo com o estudo, os 130 milhões de brasileiros com acesso à internet produziram 6,2 bilhões de posts somente no twitter. Desse volume, 39,2 milhões trouxeram conteúdos com a combinação das palavras “mídia”, “imprensa”, “jornalista” e “jornalismo”.

“O ano de 2019 foi preocupante. No futuro, olharemos para ele como um ano atípico, de ódio, incompreensão, uma falta de avaliação serena dos fatos. Isso revela uma incompreensão com o papel que os jornais e os jornalistas exercem na imprensa brasileira”, afirmou o presidente da ABERT Paulo Tonet Camargo.

Desse total, 3,2 milhões de posts (10%) foram produzidos por perfis e sites mais conservadores com palavras de baixo calão ou expressões que tentam desacreditar o trabalho da imprensa. O número mostra que a mídia profissional sofreu 9 mil ataques diários, uma média de 6 ataques por minuto.

Já internautas alinhados mais à esquerda produziram 714 mil tweets, o que representa 1,9 mil ataques diários, ou 1,3 agressão por minuto.

A soma dos ataques com viés ideológico é de cerca de 4 milhões de postagens negativas, ou 10% de tudo o que foi produzido em 2019 sobre a área de comunicação profissional no Brasil.

No Poder Legislativo, as legendas PSL e PT, da Câmara dos Deputados, lideraram as postagens sobre a mídia em 2019.

Do total de 4.506 posts, 1.575 foram do PSL e 1.156 do PT.

“Os indicadores revelam que a ação contra a mídia não está restrita a um universo particular de apoiadores da direita ou da esquerda política, mas àqueles que não aceitam o contraditório”, afirma a Bites.

Número de violência não letal tem redução de 50%

O Relatório da ABERT registrou ainda 56 casos de violência não-letal, que envolveram pelo menos 78 profissionais e veículos de comunicação.

Em relação a 2018, houve uma redução de 50,87% no número de casos e de 52,72% no número de vítimas. A redução é positiva, porém não significa que houve uma melhora na percepção sobre a importância do trabalho da imprensa.
As agressões físicas, que vão desde socos e pontapés a disparos de bala de borracha, continuam sendo a principal forma de violência não-letal: foram 24 casos relatados (42,85% do total) em 2019, envolvendo pelos menos 30 jornalistas. Os principais alvos foram os profissionais de rádio e TV do sexo masculino.

A Região Sudeste registrou o maior número de ocorrências. Os autores das agressões foram, principalmente, os políticos ou ocupantes de cargos públicos.

Em seguida, estão jogadores, torcedores e técnicos nas coberturas esportivas.

As ofensas vêm em seguida, com 8 casos, envolvendo 10 vítimas, e respondem por 14,28% do total. O número nem sempre representa a realidade, já que muitos casos não são relatados ou são minimizados por parte das vítimas. Em 2019, os profissionais de jornal foram os principais alvos de políticos ou ocupantes de cargos públicos.

Os casos de intimidação, ameaça, assédio sexual, ataques/vandalismo e roubos/furtos também tiveram queda, enquanto os de censura, detenção e injúria racial tiveram aumento nos registros.

Pela primeira vez desde 2012, quando a ABERT passou a monitorar os casos de violações à liberdade de expressão, houve um registro, de forma presencial, de injúria racial, crime inafiançável que deve ser punido com todo rigor. Outras situações ocorreram por meio de ataques em redes sociais.

Também as decisões judiciais estão registradas no Relatório ABERT sobre Violações à Liberdade de Expressão, mas não estão contabilizadas como violência não-letal. Em 2019, houve um aumento de 15,38% em relação ao ano anterior. Os pedidos de indenização representaram a maioria das decisões judiciais; em seguida, estão os pedidos de retirada do ar de informações e matérias jornalísticas.

O Relatório da ABERT cita ainda os casos de dois jornalistas assassinados em Maricá (RJ), em menos de um mês, mas os registros não foram contabilizados, pois a Polícia de Niterói não confirma se os crimes estão relacionados à atividade profissional.

O Brasil no mundo

O relatório da ABERT alerta que o Brasil continua apresentando um cenário preocupante para o exercício do jornalismo e nem mesmo a redução no número de mortes e violência não-letal fez com que o país fosse retirado das listas mundiais de nações perigosas para a profissão.

De acordo com a ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), entre 180 países avaliados, o Brasil figura na posição 105 no ranking de liberdade de imprensa.
Já o Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) coloca o Brasil na nona posição na lista dos países que possuem mais crimes contra jornalistas sem solução.

Bolsonaro foi responsável pela metade dos ataques diretos à imprensa em 2019, aponta relatório da Fenaj

O Brasil registrou, em 2019, 208 ataques diretos a veículos de comunicação e jornalistas, um aumento de 54% em relação a 2018. Do total, 114 casos foram de descredibilização da imprensa e 94 de agressões diretas a profissionais. Sozinho, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi responsável por 58% destes ataques, chegando a 121 casos. Estes são os dados divulgados nesta quinta-feira (16) pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) no Rio de Janeiro.

É a primeira vez que a Fenaj contabiliza em seu relatório anual as tentativas de descredibilização da imprensa. Em 2019, a modalidade tornou-se a principal forma de ameaça à liberdade de imprensa no Brasil e foi incluída no relatório diante da institucionalização da prática por meio das falas e discursos do presidente da República.

O relatório não realizou um monitoramento diário dos ataques nas redes sociais, contabilizou apenas os ataques diretos através de declarações ou ações.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.