Mulheres jornalistas defendem urgência no combate a relações de poder abusivas e preconceitos
Natal, RN 23 de jun 2024

Mulheres jornalistas defendem urgência no combate a relações de poder abusivas e preconceitos

10 de março de 2020
Mulheres jornalistas defendem urgência no combate a relações de poder abusivas e preconceitos

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No mês marcado pelo Dia Internacional de Luta da Mulher, a exibição do documentário “Mulheres jornalistas – histórias, memórias e vidas”, de Edileusa Martins de Oliveira, trouxe o debate sobre os desafios das mulheres no exercício da profissão. O evento aconteceu na noite desta segunda-feira (9), no Abayomi Espaços Compartilhados.

No momento em que o jornalismo, sobretudo as mulheres, sofre com sistemáticas agressões, uma roda de conversa formada por jornalistas que atuam em diferentes áreas e por movimentos feministas discutiu a naturalização do machismo. Mesmo finalizado em 2018 como projeto de mestrado em Jornalismo, a diretora e roteirista Edileusa Martins de Oliveira ressalta a atualidade da discussão.

“Guardei por um tempo esse trabalho, mas provocada a exibir, assisti novamente e vi que hoje ele está mais atual do que nunca. Os ataques que estamos sofrendo não são de agora. Mas especialmente neste momento temos sofrido cada vez mais com a condição de gênero, com ataques frontais, terríveis.”

O filme retrata a história de vida, trajetória profissional e revela o que pensam sobre a profissão seis jornalistas mulheres que atuaram ou ainda atuam no mercado de Natal. Participam do documentário como entrevistadas Ana Maria Cocentino, Tânia Mendes, Cledvânia Pereira, Liziane Virgílio, Anna Ruth Dantas e Ana Paula Costa.

Durante a conversa, mediada pela diretora da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), Ana Paula Costa, as falas reforçaram a urgência no combate a relações de poder abusivas e preconceitos. Para as presentes, a sociedade, incluindo o jornalismo, vivenciam um novo momento marcado por ataques a direitos e à democracia, que atingem especialmente às mulheres e exige rigorosa vigilância e reação.

Segundo dados da pesquisa Perfil do Jornalista Brasileiro, elaborada pela FENAJ e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), as mulheres são a maioria nas redações (64%), mas ainda recebem salários menores que os seus colegas e não ascendem aos postos de comando.

Além disso, “as mulheres jornalistas estão duplamente expostas ao risco de sofrerem violências – por exercem a liberdade de expressão e por causa de seu gênero”. É o que traz a publicação “Mulheres Jornalistas e Liberdade de Expressão”, elaborada pela Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), lançada em 8 de março de 2019.

“Já encerrei uma entrevista porque o entrevistado declarou que não conseguia se concentrar nem tirar os olhos das minhas coxas. Depois disso, passei anos indo trabalhar apenas de calça, com vergonha. Me achando culpada. Mas a culpa não é nossa”, relatou Ana Paula Costa.

Para o público, o jornalismo precisa assumir o papel de vanguarda na mudança dessa cultura e o momento de conversa é importante para que as mulheres jornalistas, ao compartilharem experiências, se reconheçam. O desafio de mudar esse campo cultural, segundo Ana Paula Costa, requer muita coragem e o coletivo.

Relatório Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil da FENAJ, divulgado em dezembro de 2019, revelou que metade dos 204 ataques sofridos por profissionais de imprensa no ano passado teve como agressor o presidente da República Jair Bolsonaro. E o alvo principal são mulheres.

“Esses ataques têm servido para abrir o olho de algumas pessoas que ainda se sentiam confortáveis e não faziam o debate da questão de gênero”, destacou Ana Paula Costa.

Ao final, a opinião unânime é a de que é preciso a realização de novos encontros para ampliar o debate sobre situações que prejudicam as mulheres, afetam a cobertura jornalística e enfraquece a democracia.

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