Os causos do futebol, e da vida
Natal, RN 25 de jun 2024

Os causos do futebol, e da vida

1 de março de 2020
Os causos do futebol, e da vida

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Já contei tantos causos de futebol, claro, eles nunca vão deixar da fazer parte das minhas alinhavadas colocações nos espaços que escrevo. São situações inusitadas, e por isso, me pego a imaginar como deve ser a vida dos grandes astros do futebol, da música, enfim...

Minha esposa acaba fazendo parte de tudo. Ela no prédio do INSS esperando ser atendida. Um senhor bem idoso senta ao seu lado, todo mundo na mesma espera angustiante das novidades da nossa velha burocracia, surge o papo, perguntas e respostas, comentários, o ancião acaba sabendo que a senhora em questão é casada com Edmo Sinedino, eu. Na mesma hora, admirado, o homem começa a falar que me conhece bem demais, que eu era um craque, os exageros de sempre, e acaba afirmando que serviu o exército comigo em 1965...Minha esposa, evidente, dá um pulo da cadeira, e esclarece que eu nasci no ano de 1958.

Quer dizer, para o meu fã, eu teria servido o Exército aos sete anos. Aposto que, no pensamento do velhinho, vai ver, igual a um grande amigo, quando entrei no futebol fiz um novo registro, e enganei até minha esposa. E teve o caso aqui em Natal. Um volante do Força e Luz, famoso, ex-ídolo do Náutico e tudo mais que, ao se transferir para Portugal, tirou novos documentos e baixou em dez anos a sua idade.

Ainda de idade teve a maluquice do "Veião" padeiro da Panificadora Avelino Teixeira, na Cidade Alta, reduto da rapaziada das ruas e ruelas que tanto já falei. Lá ia eu na minha caminhada, e quem encontro? Ele. Nas conversas na padaria ele dizia a todos nós que tinha sido campeão pelo Alecrim em 1968. Não era titular, afirmava humilde (todo mundo sabia de cor e salteado o time verde), e não ia arriscar ser desmentido. Bastos, Bil ou Luizinho, Pádua ou Miro, Cândido e Anchieta; Pedrinho e Valdomiro; Zezé, Elson, Icário e Burunga.

Ele me cumprimenta, apresenta os três amigos e começa falar do seu tempo de "jogador do Alecrim". E levei o maior susto quando, na maior cara de pau, afirmou, pedindo minha confirmação, que tinha sido bicampeão comigo nos anos de 1985/86 pelo time verde.  Para vocês terem uma ideia do absurdo, quando eu comecei, menino,  a atuar no Força e Luz, Damião, nosso "Veião" já era padeiro de "Seu" Werton fazia bom tempo. O que fazer? Balancei a cabeça concordando, igual ao professor Jorge Moura que tinha que confirmar as mentiras contadas pelo seu colega da antiga Escola. Agi assim e continuei minha caminhada. O "jogador" foi embora todo ancho.

Se eu fosse narrar cada um dos absurdos por conta desse esporte maluco teria que passar dois, três, talvez uma semana escrevendo essas loucuras de torcedor. Teve um cara, que nem era amigo, mas apenas conhecido que,  numa roda de amigos comuns, conhecidos, narra a história de, em passado recente,  me ver, tantas e tantas vezes, caindo de bêbado, adormecido nas calçadas de bares e da lanchonete Chapinha. Isso o cara falando e pedindo minha confirmação, eu quase abstêmio (só tomo, no máximo, três caipiroscas). Não aguentei. Dei um baita chega pra lá no mentiroso, perdi as estribeiras.

Depois, outro dia, na praia, um maluco queria, por fina força e insistiu, insistiu para que eu, como jornalista conhecido e ex-jogador fizesse uma campanha para mudar o nome do ABC.  "Onde já se viu um time chamado ABC, não vai pra frente nunca. Fale com a diretoria, seus colegas da imprensa, se fizerem isso vocês vão ver como a coisa melhora"...

Teve outro sucedido do cara que me vendo passar, isso foi na praia de Mãe Luiza, eu não ouvi, foi minha esposa, caiu de pau me chamando de mentiroso porque eu afirmei, em postagem no blog, que Pelé havia jogado no JL - Estádio Juvenal Lamartine. Ele, o sujeito, esclarecia, com propriedade a um amigo que era uma tremenda mentira criada por mim.

E tem essa bem recente, se passou nas minhas redes sociais, quando afirmei que, fazia tempo, desde o comando de Leandro Campos, eu destacava as qualidades do volante Juninho, garoto das bases, que já vira tantas vezes jogar,  opinando ser o rapaz bem melhor que muitos que vieram de fora ganhando salários absurdos e que nunca lhe deram chances reais de jogar.

O cara zombou, queria que eu provasse, mostrasse a postagem em que afirmei isso. Mandei... ele procurar.
Até meu amigo, colega de Prorrogação na tevê Assembleia, Mállyk Nagib, foi questionado em seu microblog por ter feito uma entrevista e elogiando o goleiro Ewerton. Essa foi de hoje.  "Na primeira oportunidade que ele falhar vocês vão ser os primeiros a cair de pau", disse o malucão lá. Quer dizer, não podemos, jornalistas que somos, falar mal, e agora se torna proibido até mesmo elogiar. Mundo louco do futebol.

E para encerrar, teve a do velhinho abcdista, pescador. Eu sempre o encontrava nas minhas caminhadas. Certo dia, p. da vida com os resultados ruins do ABC, me parou e afirmou que o time só melhorava no dia que os jogadores fossem tratados como soldados, na rigidez do quartel, recebendo salários iguais, todo mundo, passando o dia presos em preparação, e aquele que perdesse um gol feito, falhasse, marcasse gol contra teria que ser punido com prisão. E com direito somente à folga de um dia a cada final da partida disputada, isso em caso de vitória. "No instante esse nosso futebol ia pra frente", garantia.

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