PSOL vai pedir direito de resposta a rádio de Natal onde Marielle foi chamada de “miliciana”
Natal, RN 19 de jun 2024

PSOL vai pedir direito de resposta a rádio de Natal onde Marielle foi chamada de “miliciana”

11 de março de 2020
PSOL vai pedir direito de resposta a rádio de Natal onde Marielle foi chamada de “miliciana”

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O presidente nacional do PSOL Juliano Medeiros informou que vai pedir direito de resposta à rádio 96 FM onde na terça-feira (10) o advogado, blogueiro e radialista potiguar Gustavo Negreiros chamou de “miliciana” a vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro.

A acusação foi feita ao vivo, no programa Jornal das Seis, da rádio 96 FM, em Natal.

Questionado por um colega de bancada se assistiria a minissérie na Rede Globo sobre a vida de Marielle, ele classificou a obra de “porcaria” e acusou Marielle de pertencer às milícias do Rio de Janeiro:

– Não, eu não vou assistir uma porcaria dessa não. Marielle era uma miliciana lá do Rio de Janeiro, vereadora que brigou com outra parte da milícia e foi assassinada. Isso é uma briga caseira”, atacou.

É a segunda vez em seis meses que Negreiros agride a honra de uma mulher. Em setembro de 2019, o radialista afirmou que a ativista ambiental sueca Greta Thumberg era “histérica”, “mal amada” e que “precisa de um homem, de sexo”. O comentário machista teve repercussão internacional a ponto dos patrocinadores do programa onde ele trabalhava encerrarem os contratos com a emissora. Negreiros também foi "demitido", mas recontratado dois meses depois.

Greta tinha, na época, 16 anos de idade e é diagnosticada com autismo.

Sandro Pimentel cobra retratação pública e classifica agressão como "leviana e crime"

Deputado Sandro Pimentel (PSOL) usou o tempo da sessão nesta quarta-feira (11) para criticar agressões a Marielle Franco (foto: João Gilberto)

O deputado estadual Sandro Pimentel cobrou uma retratação pública por parte da rádio 96 FM e do comentarista Gustavo Negreiros. Ele classificou como “acusação leviana e crime” as agressões à vereadora Marielle Franco. Primeiro parlamentar do PSOL eleito na história da Assembleia Legislativa, Pimentel usou a sessão ordinária desta quarta-feira (11) para criticar o ataque à memória da vereadora carioca, que após a morte virou referência internacional na defesa dos Direitos Humanos:

- Lamentável saber que uma rádio com a importância e a credibilidade que tem a 96 FM permita esse tipo de postura degradante e nociva à democracia e ao bom jornalismo. Aguardamos no mínimo, uma retratação pública por parte da rádio e do “profissional. Se alguém faz uma declaração infundada tem que provar ou pedir desculpas. Mas isso não vai ficar assim”.

Pimentel, que conviveu com Marielle Franco no PSOL, lembrou que a vereadora foi vítima exatamente “desse ódio às mulheres negras na favela”. E destacou que, ao contrário do que o blogueiro disse na rádio, Marielle enfrentou as milícias:

- O advogado apresentador foi muito infeliz em sua acusação leviana, mas além disso, fez o que é inaceitável pelo jornalismo que é plantar uma informação caluniosa. Minha companheira Marielle Franco foi vítima exatamente desse ódio às mulheres negras da favela. Pior é ver que mesmo depois da sua execução leviana, pessoas como esse Gustavo seguem acusando de miliciana quem durante sua vida lutou e enfrentou as milícias”, concluiu.

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