Denúncias de Moro contra Bolsonaro têm repercussão bombástica na classe política
Natal, RN 29 de mai 2024

Denúncias de Moro contra Bolsonaro têm repercussão bombástica na classe política

24 de abril de 2020
Denúncias de Moro contra Bolsonaro têm repercussão bombástica na classe política

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

O presidente Jair Bolsonaro quer contato pessoal na Polícia Federal e faz intervenção política ao demitir o diretor geral da polícia judiciária da União, Maurício Valeixo. A denúncia foi feita por Sérgio Moro em coletiva na manhã desta sexta-feira, 24, quando entregou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

O problema não é a troca, mas é permitir que seja feita a interferência política no âmbito da Polícia Federal”, afirmou Moro. Ele disse, ainda, que Bolsonaro o informou que tinha “preocupações com investigações” feitas pelo órgão.

O agora ex-ministro reconheceu a preservação da autonomia da PF durantes os governos Lula e Dilma, e considerou que o presidente violou promessa de carta branca para ele assumir o cargo. Segundo Moro, o presidente teria expressado em diversas ocasiões o desejo de ter alguém no comando a quem pudesse “ligar, colher informações e relatório de inteligência”.

As reações às denúncias apresentadas por Moro foram imediatas. O pedido de demissão do ministro foi o assunto mais comentado pelos brasileiros no Twitter durante o dia de hoje. A hashtag #bolsonarotraidor apareceu no início da tarde desta sexta em primeiro lugar no debate virtual.

Para o governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), “Moro está para Bolsonaro como o Fiat Elba esteve para Collor. A prova que faltava. Agora não falta mais”.

Fernando Haddad (PT-SP), que disputou o segundo turno das eleições com Bolsonaro, classificou de “trágica ironia” o reconhecimento de Moro à autonomia dada pelos governos petistas ao trabalho da Polícia Federal. “Moro usou a PF para armar contra o Lula e pavimentar a vitória de Bolsonaro. Bolsonaro engoliu Moro e a PF”.

Para Haddad, foram vários os “crimes de responsabilidade descritos por Moro. Os ministros, especialmente os militares que ainda respeitam esse país, deveriam renunciar a seus cargos e forçar a renúncia. O impeachment é processo longo. A crise sanitária e econômica vai se agravar se nada for feito”.

“Moro acusou Bolsonaro de obstruir a justiça e interferir em investigações”, afirmou Guilherme Boulos (PSOL) em sua conta no twitter. Para ele, isso constitui “crime de responsabilidade graúdo, que coloca o impeachment na ordem do dia. Precisamos construir uma ação de impeachment mais ampla possível, com partidos da oposição e a sociedade civil”.

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), informou que entrará “ainda hoje com pedido de impeachment do Presidente da República, a partir das graves denúncias feitas pelo agora ex-ministro da justiça”.

O convite para que o agora ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, fale ao Congresso, também foi protocolado.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) acusou Moro de cúmplice de crimes do governo: “a saída de Moro escancara a farsa da narrativa anticorrupção do Governo Bolsonaro. Moro aceitou fazer parte da encenação. Ele sabia das ações do gabinete do ódio de Carlos Bolsonaro e ignorou as investigações contra o laranja Queiroz. Não é herói, nem vítima”.

Já a líder da bancada do PCdoB na Câmara, Perpétua Almeida, disse estar “encaminhando a convocação para Sérgio Moro comparecer na Câmara e esclarecer o conjunto de crimes que presenciou o Presidente Bolsonaro cometer. A coletiva de Moro é uma delação e enquadra Bolsonaro em vários crimes previstos na CF e no CP”.

A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), acusou Moro de ser “omisso quanto às milícias de estimação dos Bolsonaro, omisso quanto às aspirações de um novo AI-5, omisso sobre Queiroz, omisso com o laranjal do PSL, o caixa 2 de Ônix, os fantasmas de Flávio Bolsonaro”, e que pede para sair agora por achar “que atingiu sua biografia, seu ego”.

“Acabo de assinar o pedido de abertura de CPI para investigar as declarações de Sérgio Moro, proposta pelo PSB através do deputado Aliel Machado. São graves acusações de crime de responsabilidade”, afirmou o deputado federal Rafael Motta (PSB-RN), ressaltando a necessidade de investigação.

Resposta

O presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que vai "repor a verdade" em pronunciamento marcado para 17h.

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.