O verdadeiro tesão da quarentena
Natal, RN 27 de mai 2024

O verdadeiro tesão da quarentena

16 de abril de 2020
O verdadeiro tesão da quarentena

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Se já não era fácil ser bem comida antes da quarentena (ou ao menos ser comida, pra não bancar a exigente), é fato que o isolamento social tem provocado um crescimento de casos quase fatais de pessoas solteiras subindo pelas paredes diante da impossibilidade da consumação fática (e quando digo fática, quero dizer física mesmo) dos seus mais profundos desejos.

Junte-se a esses motivos, as verdades absurdas encobertas pelos gracejos bobos das pessoas casadas, que insistem em compartilhar com você piadas cheias de sarcasmo (e possivelmente um tanto de presunção, ou só ilusão mesmo), com textos pré-fabricados se gabando de que o jogo virou e agora só as pessoas casadas transam.

Resta então apenas uma saída sensata: apelar para a imaginação, essa diaba maravilhosa que nunca nos abandona ou nos isola, e que permite criar novas formas, ou reinventar as antigas, de saciar vontades cotidianas que não respeitam e nem sabem o que porra é quarentena, isolamento social ou Covid-19.

São elas que te acompanham, a menos de dois metros de distância, porque afinal nasceram assim, desobedientes e apegadas à carne, e estão presentes nas 24 horas do dia, que desafiam a libido nas mais inusitadas circunstâncias. Até mesmo numa inocente ida ao supermercado, onde as mandiocas (que chamo de macaxeira) e os pepinos, agora apalpados com todo o carinho, ganham novo significado na vida de muitas mulheres, como revelou uma amiga minha em plena "live" de comemoração virtual do seu aniversário.

E não foi só essa fantasia totalmente legítima provocada por legumes e raízes que a então aniversariante nos contou, nessa "live". Avessa ao sexo virtual, mas usuária do Tinder, hoje exclusivamente voltado às relações remotas, ela decidiu desbravar esse novo e desconhecido mundo, na falta de algo melhor, ou talvez por não ter encontrado, naquele dia, macaxeira ou pepino no mercado perto de casa.

O que ela não imaginava era que o efeito pandemia viesse a influenciar a dinâmica da conquista virtual, com uma situação inesperada, mas com forte tendência de se tornar cada vez mais comum, diante das medidas de contigenciamento alardeadas aos quatro cantos para prevenir o contágio. Após profunda consulta num passeio pela vitrine de possibilidades do aplicativo de relacionamento, engatou de repente um papo com um camarada, quando percebeu que, ao fundo, a câmera dele pegava uns panos de chão super branquinhos, limpíssimos, pendurados como que de propósito atrás do moço.

Essa inédita arma de conquista acabou dominando as atenções da minha amiga, que então só tinha olhos para os famigerados panos de chão, alvos como a neve, por melhor que fosse a performance do rapaz em lhe atiçar o tesão. Estava apaixonada por aquele cenário e, de repente, não resistiu: perguntou o que danado ele usava pra deixar os panos tão limpinhos...

O camarada ficou um tanto sem graça, afinal estava de fato se empenhando, enquanto ela bancava a louca da limpeza doméstica, totalmente entregue à brancura daqueles retalhos. Não se demorou a pedir desculpas pelo abrupto comentário, que não tinha qualquer intenção de desmerecer todo o esforço do contatinho virtual. Mas explicou que, em tempos de coronavírus, essas qualidades podem sim provocar mais tesão do que qualquer nude.

O moço entrou no clima da louca da limpeza, e contou seu segredo: água sanitária. Só. Em tempo de recuperar o clima, ela embarcou na onda, lembrando ao rapaz de outras coisas que têm cheiro de água sanitária. Ele se empolgou tanto com a comparação, que disse: vou jogar água sanitária em você todinha. E a conversa seguiu embalada por desinfetantes, álcool em gel, detergentes, sabão em pó, e outros tesões que nem suspeitavam ter, até o gozo final.

Hoje, ela continua frequentando a seção de hortifruti, mas já não dá tanto valor às macaxeiras ou aos pepinos. A seção preferida passou a ser a de material de limpeza. Não pode ver uma água sanitária, que já ensaia orgasmos. Os panos de chão dela nunca estiveram tão brancos...

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