CIDADANIA

Cientistas realizam marcha virtual pela ciência e pela vida nesta quinta

Universidades e instituições de pesquisa de todo o Brasil participam, nesta quinta-feira (7), de uma manifestação virtual para chamar a atenção da sociedade sobre a importância da ciência no enfrentamento à pandemia da Covid-19 e de suas implicações ´sociais, econômicas e de saúde.

A Marcha Virtual pela Ciência é uma iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que junto às secretarias regionais e sociedades científicas afiliadas realizarão atividades transmitidas pelas redes sociais ao longo do dia. O momento é voltado à sociedade em geral, que terá a oportunidade de contato direto com cientistas para obter informações relevantes e esclarecer dúvidas sobre o novo coronavírus.

No Rio Grande do Norte, professores, reitores e pesquisadores da UERN e UFRN farão parte da Marcha que propõe um pacto pela vida, através de lives sobre diversos temas.

live da UFRN contará com a presença do reitor da instituição José Daniel Diniz Melo, que fará uma breve apresentação das ações em desenvolvimento na instituição para enfrentamento à Covid-19. A importância da qualidade das informações sobre a doença, por sua vez, será ressaltada pela jornalista Luciane Agnez, do Instituto Superior de Brasília, que abordará o tema Fake News em tempos de pandemia.

A ação que será transmitida pelo canal da UFRN no Youtube também contará com as palestras Qual exame devo fazer? Biologia molecular ou teste rápido?, conduzida pela professora do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da UFRN, Vivian Silbiger e Por que investir em ciência?, tema ministrado pela professora do Departamento de Biologia Celular e Genética da UFRN, Lucymara Fassarella.

A Associação dos Docentes da UFRN participa da Marcha Virtual pela Ciência pelas suas redes sociais a partir das 16h30 e contará com a participação dos cientistas Sidarta Ribeiro e Natalia Mota sobre os temas “Sanidade e Democracia” e “Ciência e o Futuro do Brasil”.

A cientista Natália Mota defende o fortalecimento das pesquisas para enfrentar a pandemia

Para a cientista da UFRN Natália Mota, a desvalorização da ciência é preocupante, porém há esperança que em um momento de crise, esse setor seja melhor enxergado.

“No momento em que vivemos uma pandemia perigosa, as pessoas começam a dar mais atenção à ciência, porém trabalhar com isso não é simples e precisamos ter nossas pesquisas fortalecidas para enfrentar uma pandemia. A desvalorização da ciência tem feito com que a gente passe pelo fenômeno da Covid-19 às cegas, com bastante subnotificação e pouco preparo”, explica.

De acordo com Natália, a saúde psicológica da população também é bastante afetada pela fragilidade da democracia, observada no cenário político nacional.

“Numa situação de pânico, a gente precisa de lideranças que saibam qual caminho seguir, pois além das próprias inseguranças, também temos incertezas em relação as decisões tomadas pelo poder público. Nacionalmente existe um embate e oportunismo muito grandes e essa instabilidade democrática influencia muito a saúde mental das pessoas”, afirma a cientista.

Na página do Instituto do Cérebro da UFRN no youtube, o neurocientista Eduardo Sequerra também divide mesa virtual, a partir das 16h30, com outros três pesquisadores – Sérgio Lima, Adrian Garda e Rômulo Barroso – num bate-papo sobre “Evolução em tempos de negacionismo”:

– A ideia é fazer um histórico da teoria da evolução pré e pós Darwin. Falar do negacionismo à evolução, dos movimentos que criaram a ideia de defender o criacionismo como ciência, quais são os seus interesses. E vamos falar daqueles que abraçaram a teoria da evolução para mal usar em proveito próprio, como no racismo, que mesmo com todo o conhecimento que temos de biologia hoje em dia está super vivo, mesmo no meio acadêmico. Após isso, falaremos sobre as implicações desse racismo científico para a sociedade, como na crítica ao ensino público, medicina etc”, explica o pesquisador.

Neurocientista Eduardo Sequerra participa de mesa virtual sobre “Evolução em tempos de negacionismo”

Na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, a programação conta com o painel O papel da iniciação científica no fortalecimento da ciência, com o técnico da PROPEG/UERN, Ismael Nobre Rabelo. A apresentação será da radialista, Aline Linhares, da Agecom/UERN. A transmissão será pela conta oficial da universidade no Instagram (@uernoficial).

Encerrando o dia, a UERN promove o webinário  “Ciência e desenvolvimento no semiárido”, às 17h. Os convidados são os professores doutores Rodolfo Lopes, Cynthia Cavalcanti, Franklin Roberto da Costa e Alexandre de Lima, com mediação do jornalista e professor da UERN, Esdras Marchezan.

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Isolamento Social não pode ser afrouxado 

O Rio Grande do Norte tem números bem menores do Coronavírus, em comparação a estados vizinhos como Pernambuco e Ceará que já estão na casa das centenas de mortes, ou de São Paulo, que chegou ao número de 3 mil óbitos.

Essa condição tem feito com que prefeituras afrouxem o isolamento social, ação não recomentada pela cientista Natália Mota. “A gente tem números mais tranquilos pois iniciamos o isolamento social antes da propagação do vírus tomar maiores proporções. Ainda assim não é hora de flexibilizar abertura de comércios, por exemplo, não existe barreira física entre os estados, tanto é que a Covid-19 se espalhou pelo mundo. É uma ilusão achar que está tudo bem e que o nosso estado é especial por não ter tantos casos, se flexibilizarmos mais o isolamento, a situação local pode se descontrolar”, disse.

A cientista reforça ainda a importância de haver valorização e investimento na ciência local. “É preciso que existam mais mecanismos de ciência no âmbito local, para que possamos mapear com precisão a situação no estado para poder tomar as medidas cabíveis de proteção”, finaliza.

 

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Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.