CIDADANIA

Evangélicos progressistas cobram mais ações de prefeituras e governos frente à pandemia e pedem cassação da chapa Bolsonaro/Mourão

Um grupo de 22 organizações lideradas por cristãos progressistas, incluindo igrejas, entidades, movimentos pela democracia e setores de partidos políticos, como PT, PDT e PSOL, divulgou uma carta neste sábado (16) cobrando atuação mais efetiva de prefeituras e governos na assistência às pessoas mais vulneráveis em meio à pandemia do novo Coronavírus.

O documento  intitulado de “Um clamor de fé pelo Brasil” critica a postura do presidente da República Jair Bolsonaro, defende a ciência e cobra o julgamento das ações no Tribunal Superior Eleitoral que pedem a cassação da chapa Bolsonaro/Mourão por divulgação, desde a campanha eleitoral, de fake news.

As 22 organizações e movimentos de cristãos pela democracia que assinam a carta

Leia a carta na íntegra:

Um clamor de fé pelo Brasil

Nós, de diversas Igrejas, organizações e movimentos de evangélicas e evangélicos pela democracia, manifestamos publicamente:

– Nosso luto e profunda solidariedade para com as famílias dos mais de 10 mil mortos que o Brasil identificou até recentemente em meio a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19). É momento de “chorar com os que choram” (Rm 12:14-15)

– Nosso compromisso cotidiano em ações solidárias de apoio ao atendimento de necessidades específicas de pessoas e famílias que se encontram em situação de vul- nerabilidade nesse contexto de grave crise. “A fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tg 2:17).

– Nossa gratidão e solidariedade para com os profissionais de saúde que têm experimentado grande desgaste físico e emocional por estarem trabalhando no enfrentamento direto dessa situação. Nossa oração é para que Deus os guarde e que eles “mantenham a esperança”.

– Nosso reconhecimento e apoio a Universidades e Centros de Pesquisa, bem como seus pesquisadores e cientistas que têm se dedicado na busca das melhores respostas e análises para juntos superarmos esta realidade. O momento exige que as tomadas de decisão sejam fundamentadas “no conhecimento que vem do bom sen- so” (Pv 1:4).

– Nosso repúdio e indignação à forma antiética com que o presidente da República tem se comportado nesta grave situação do País, sem assumir a conduta exigida para uma pessoa que ocupa a liderança institucional executiva da nação. Ele tem dado provas de que não está à altura do cargo da Presidente da República. A gestão inadequada durante a pandemia atenta contra a vida humana ao invés de “praticar a justiça e compaixão pelos pobres” (Dn 4:27).

Diante disto, consideramos ser fundamental:

– Que as respostas dos governos sejam mais eficientes em relação ao devido atendimento às necessidades das pessoas. É essencial que prefeituras e governos estaduais atuem para garantir o cumprimento do isolamento social recomendado, e que o governo federal opere de forma co- ordenada e adequada na execução de seus compromissos e responsabilidades.

– Que igrejas e comunidades religiosas, compreendendo a gravidade e urgência do tempo presente, não promovam cultos públicos presenciais e considerem seriamente o uso de suas estruturas e pessoal para o desenvolvimento de ações que contribuam para o apoio a população e para o enfrentamento da pandemia. O momento exige responsabilidade e coragem a fim de preservar vidas.

– Que sigamos as recomendações e orientações de instituições de saúde e científicas. Reconhecemos a ciência como dom de Deus para cuidar da vida humana e toda a sua criação. A fé e a ciência são aliadas, caminham jun- tas e exaltam o poder divino.

– Que o poder público – executivo, legislativo e judiciário – atue de forma coordenada para promover uma economia justa e voltada para o benefício das pessoas, a partir dos mais empobrecidos. Não há nenhuma razoabilidade em se opor a crise na saúde à crise econômica. É falsa tal divisão. O momento é de grave crise na saúde pública e todos os esforços devem convergir para maior preservação possível de vidas. Não se pode minimizar uma situação de pandemia em favor de lucros. O foco precisa ser solidariedade e proteção social em prol da preservação da vida humana.

E propomos de imediato a seguinte ação:

– Que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assuma seu papel constitucional e proceda o imediato julgamento das Ações de Investigação Judicial no (TSE) e que pedem a cassação da chapa de Jair Bolsonaro e de Antônio Mourão em razão da disseminação de mentiras durante a campanha eleitoral; prática que tem se mantido durante o governo, sendo agora alimentada por dinheiro público, como tem sido demonstrado e noticiado. A preservação de vidas e da democracia exigem ação imediata. Não há motivos que justifiquem ainda mais a prorrogação desse julgamento. Para que a justiça seja feita, sob a égide do Estado de Direito e para o bem-estar social e da democracia.

Convidamos irmãs e irmãos a se juntar nesse clamor de fé e ação pelo Brasil.

 

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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