Ex-editora do Viver estreia em junho novo portal no RN com foco em jornalismo cultural
Natal, RN 30 de mai 2024

Ex-editora do Viver estreia em junho novo portal no RN com foco em jornalismo cultural

9 de maio de 2020
Ex-editora do Viver estreia em junho novo portal no RN com foco em jornalismo cultural

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A jornalista Cinthia Lopes não esperou nem a poeira baixar após a inesperada demissão da Tribuna do Norte em abril e já prepara a estreia de novo projeto. Com a experiência de 25 anos como repórter e editora, no caderno Viver e em outros suplementos do jornal, Cinthia coloca no ar, em junho, o Típico Local, portal especializado no que a ex-comandante do Viver se habituou a fazer durante mais de duas décadas: jornalismo cultural.

O nome do site tem uma relação afetiva com a cidade e com próprio trabalho da jornalista. Típico Local faz referência a uma música homônima da lendária banda potiguar General Junkie, trio formado à época da gravação da canção por Paulo Souto (baixo), Gustavo Lamartine (guitarra) e Marcelo Costa (bateria):

 - Típico local é o nome de uma música do General Junkie. A banda faz parte do meu início de carreira no jornalismo e eu também fiz parte da história da banda, como disse Gustavo Lamartine. Ele me autorizou a usar o nome”, explica a jornalista, que destaca o foco do novo trabalho:

- Cultura, lazer, identidade, coisas que são típicas, curiosidades daqui e de outros lugares...sempre pensando na identidade. Não necessariamente só Natal, mas por onde o típico passar. Por que tem coisas típicas de Mossoró, Caicó, ou Rio de Janeiro...se a gente viaja traz algum assunto assim sempre", afirma.

O projeto gráfico está sendo desenvolvido pelo designer Dimetrius Ferreira em parceria com o jornalista Filipe Mamede. O portal também marcará a volta de Cinthia Lopes à reportagem. Como editora, sobrava pouco tempo para que a jornalista se dedicasse ao exercício diário de escrever. Segundo ela, haverá espaço para contar histórias e também para a divulgação dos projetos dos artistas potiguares:

- Trago a experiência da pauta cultural para o Típico, mas agora retorno à reportagem também, então será um desafio duplo. Voltar a escrever mais e ao mesmo tempo continuar a garimpar assuntos que interessam às pessoas. Quero contar histórias, mas o espaço será também mais um canal pra divulgar o trabalho dos artistas locais”, adianta.

No novo projeto, Cinthia Lopes assinará a maioria dos textos e a edição dos artigos enviados pelos colaboradores em algumas seções já criadas. Entre os nomes já confirmados estão o do atual secretário municipal de Cultura Dácio Galvão, a produtora cultural Danielle Brito, o músico Alexandre Alves, além da professora e sommeliere Renata Lopes Simonetti:

- Algumas pessoas se ofereceram pra escrever, então abri algumas seções para falar de música, patrimônio, literatura, gastronomia”, diz.

A jornalista foi demitida da Tribuna do Norte em abril ao lado de outros 21 colegas, sete somente da redação, entre repórteres, editores e diagramadores. Ela admite que a saída do jornal, após 25 anos, foi um trauma pela forma como aconteceu, em meio a uma pandemia que o mundo ainda tenta compreender.

Sobre o episódio, a jornalista lamenta a forma como a empresa agiu com os funcionários e também pelos colegas que ficaram acumulando funções:

- Sei que ninguém é insubstituível e com 25 anos trabalhando na mesma editoria é claro que eu já me preparava para deixar um dia o jornal. Mas não esperava que fosse nesse momento de tanta incerteza. Então, por isso, foi traumática. A cultura perde espaço no jornal porque a Tribuna do Norte ainda trabalhava o conteúdo jornalístico com responsabilidade. A mediação entre artistas e a sociedade perde com isso. Vejo também a condição de quem ficou lá, acumulando funções... todos saem perdendo”, disse.

Da máquina de escrever à era digital: as mudanças no jornalismo cultural

Cinthia Lopes entre Camillo Veras e Antônio Roberto Rocha, nos tempos do Segundo Caderno, antecessor do Viver (foto: arquivo pessoal)

Em duas décadas e meia, não foi apenas a jornalista Cínthia Lopes que mudou. O jornalismo também passou por grandes transformações no período. No tempo da máquina de escrever era inimaginável, por exemplo, pensar que com apenas um telefone celular seria possível cumprir a maioria das etapas que, antigamente, precisariam de várias pessoas para executar:

- Eu peguei a transição entre a era analógica das máquinas de escrever e o computador. Nem sei se dá para imaginar como era compor uma matéria e, na hora da dúvida, ter que ir nos arquivos achar uma coleção de jornal com o assunto que estava procurando...era tudo artesanal, existia até revisor e copydesk. Então uma das mudanças que a era digital trouxe foi a agilidade na pesquisa, apuração e checagem. Mas junto com a internet veio o dead line, a corrida contra o tempo, o acúmulo de trabalho... ao mesmo tempo abriu-se um leque de possibilidades para rechear textos, vídeos, áudios...Não dava para concorrer com os meios digitais, mas era possível usufruir”, pontua.

Sobre a chegadas das redes sociais, a jornalista destaca que a mudança projetou também uma transformação na forma como a sociedade passou a consumir cultura. E, a partir daí, o impacto se deu tanto no público como no conteúdo produzido:

- Uma mudança que impactou o jornalismo cultural foi a chegada das redes sociais por que, junto com ela, a forma de consumir cultura mudou completamente. Já não era necessário que um crítico, um programa de TV ou um jornalista validasse o trabalho de um artista para ele alcançar seu público consumidor. Mesmo assim, o bom conteúdo  nunca foi tão necessário. Então neste sentido acredito que o jornalismo cultural ainda tenha espaço na sociedade como documento dos tempos”, conclui.

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