CIDADANIA

Pescadoras potiguares criam grupo de lideranças femininas e pedem apoio do Consórcio Nordeste

Desde que o litoral nordestino foi tomado por um vazamento de óleo em 2019, os pescadores e as pescadoras da região enfrentam grandes dificuldades. E as condições pioraram ainda mais desde que foram adotadas medidas de distanciamento social para conter a propagação do Coronavírus.

Com o objetivo de discutir melhorias, ações e organizar campanhas de doação, pescadoras das colônias pesqueiras do litoral potiguar estão se articulando para enfrentar o momento de crise gerado pela Covid-19.

O grupo Mulheres Pescadoras Unidas, criado com o apoio da Rede MangueMar e a Ong Oceânica, reforça que a união das mulheres se faz urgente e necessária diante do difícil cenário social, econômico e político em todo o país. Com renda baseada na pesca artesanal, muitas dessas mulheres não tem conseguido vender os peixes que pescam, utilizando-os como alimento. E ainda faltam outros itens à mesa, como arroz e feijão.

“A situação das mulheres na pesca artesanal ja vem sendo precária há muito tempo, e hoje isso está pior. Precisamos baixar o preço do peixe para poder vender, isso quando conseguimos. Por isso essa articulação surgiu para debatermos o que está acontecendo e procurar caminhos e soluções”, disse Rosângela Nascimento, presidente da Colônia de Natal e região metropolitana.

Segundo a pescadora, algumas cestas básicas já foram entregues através de programas de assistência, como o RN + Unido, mas ainda são necessárias doações.

“Buscamos outras fontes de auxílio para garantirmos cestas básicas e materiais de higiene para reparar um pouco as dificuldades enfrentadas por muitas mulheres pescadoras que são as principais responsáveis pelas suas famílias e ainda assim, muitas vezes são silenciadas“, conta.

No Rio Grande do Norte, o grupo contabiliza 3.183 pescadores e pescadoras, dentre as quais mais da metade (1.837) são mulheres que acumulam funções e responsabilidades em suas famílias e no trabalho, deixando-as em uma situação ainda maior de vulnerabilidade.

Entidades pesqueiras pedem ajuda ao Consórcio Nordeste

No início de maio, um grupo de organizações de pescadores reivindicou, em carta, ações como a criação de um fundo especial para pescadores; a distribuição de cestas básicas e de produtos de limpeza nas comunidades pesqueiras; um plano específico de assistência social e atendimento médico voltado ao combate a Covid-19; a compra da produção pesqueira artesanal via programas governamentais; linhas de investimento para o setor e a suspensão de mandados de reintegração de posse e despejos.

Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Movimento Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), Articulação Nacional das Pescadoras, Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinhas assinaram o pedido. A carta foi respondida por meio de nota.

O Consorcio Nordeste afirmou que está trabalhando em parceria com o Fórum de Gestores e Gestoras da Agricultura Familiar do Nordeste, incorporando uma ação regional de apoio à pesca artesanal dentro de um programa regional de apoio à agricultura familiar no qual está fazendo um levantamento da oferta de produtos para aquisição imediata.

O Consórcio destacou também que vem mapeando órgãos e secretarias municipais e estaduais têm esse tipo de diálogo com as comunidades, para propor uma negociação direta.

Dados para doações às pescadoras potiguares 

Doação presencial: Rua da Floresta, n° 47, Rocas, Natal
Doação por transferência bancária>
Agência: 1246-7
Conta: 62889-1
Contatos: (84) 98882-2893 – Rosângela ou (84) 98120-9873 – Joane

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Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.