Primeira morte de indígena por covid-19 é registrada no RN; outros três casos em aldeias estão confirmados
Natal, RN 29 de mai 2024

Primeira morte de indígena por covid-19 é registrada no RN; outros três casos em aldeias estão confirmados

15 de maio de 2020
Primeira morte de indígena por covid-19 é registrada no RN; outros três casos em aldeias estão confirmados

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Há cerca de dois meses, a principal preocupação nas aldeias indígenas do Rio Grande do Norte era alimentar seu povo que estava impossibilitado de trabalhar em razão da pandemia. Hoje, no entanto, essa preocupação se estende ao perigo de contaminação pelo novo Coronavírus entre os indígenas.

O primeiro óbito de um indígena no Rio Grande do Norte por coronavírus foi registrado na noite de quarta-feira (13). O homem de 33 anos era não-aldeado que residia na Zona norte de Natal, junto a outras 48 famílias indígenas.

De acordo com Luiz Katu, líder da aldeia Catu e membro da Articulação dos Povos Indígenas do RN, são conhecidos outros três casos confirmados e dez suspeitos em todas as 14 aldeias do estado. O número pode parecer pequeno, mas se torna preocupante pois há uma grande concentração de pessoas nas aldeias.

"Aqui na Catu os casos confirmados são de um homem idoso e uma mulher de cerca de 35 anos. Isso nos preocupa muito pois eles tiveram contato com outros aldeados, as casas são próximas e a maioria abriga famílias grandes, chegando a ter até 10 pessoas em uma casa só", relata luiz.

Só na Aldeia Catu, vivem 203 famílias e cerca de 800 indígenas.

O outro caso confirmado foi na aldeia Sagi, em Baía Formosa, e se trata de uma criança de idade ainda não especificada. A APIRN tem feito diariamente contato com líderes e famílias indígenas para mapear a situação da contaminação pela Covid-19, além disso, as aldeias têm montado barreiras para conter o acesso de não indígenas nas aldeias, onde são realizados trabalhos de higienização, conscientização e doação de máscaras.

Barreira instalada nas aldeias para higienização, doação de máscaras e conscientização. Foto: Cedida

"Estamos tentando intensificar o isolamento, mas não temos controle sobre os não indígenas que circulam nas aldeias, muitos estão nos arredores e utilizam dos recursos naturais que cultivamos e alegam que não temos poder sobre as terras, que não são demarcadas, essa é uma dificuldade que nos acompanha em diversas situações. A terra é nossa, lutamos por ela", conta Katu.

Acesso à saúde limitado desde janeiro de 2019 

Enquanto a contaminação pela Covid-19 segue seu curso nas aldeias potiguares, outro fator que tem preocupado os indígenas é a dificuldade no acesso à serviços de saúde. A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), subordinada ao Ministério da Saúde, deixou de atender as comunidades indígenas do Rio Grande do Norte desde janeiro de 2019. O atendimento era feito desde 2015, presencialmente, por equipes de assistência médica nas aldeias.

"Nós não temos qualquer atendimento de saúde específica para o nosso povo, esse atendimento da Sesai foi retirado e em um momento como esse estamos cada vez mais vulneráveis, não recebemos imunização, a cada dia a nossa sensação de pânico aumenta", afirma o líder indígena Luiz Katu.

Uma realidade presente não apenas para os indígenas é apontada por Luiz como preocupante: a falta de testes para o coronavírus e o atendimento paliativo.

"O acesso que temos às unidades de saúde de cada município onde ficam as aldeias é mínimo, só são atendidas pessoas que chegam em um quadro muito grave, já passando mal. Se buscarmos atendimento alegando ter sintomas e ter tido contato com um caso confirmado, nos mandam de volta para casa e assim, vai aumentando o contágio", disse.

Segundo Luiz Katu, os dois casos confirmados na aldeia que lidera tiveram contato com outros moradores.

"Nosso povo está morrendo pela falta de atendimento e assistência médica e esse fato é subnotificado. Só são contabilizadas mortes de indígenas porque as articulações de aldeias estão acompanhando e pressionando as secretarias de saúde por ajuda", diz.

Mais de 200 indígenas estão infectados no Brasil

De acordo com a plataforma de monitoramento da situação indígena na pandemia do novo coronavírus no Brasil, há 277 casos confirmados pelo vírus em comunidades da área rural. Até o momento, 19 óbitos são contabilizados.

Os dados contabilizados tem base nos boletins das Secretarias Estaduais de Saúde e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), subordinada ao Ministério da Saúde (MS).

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