RN Solidariedade Covid cobra fim das humilhações nas filas da Caixa Econômica
Natal, RN 26 de mai 2024

RN Solidariedade Covid cobra fim das humilhações nas filas da Caixa Econômica

5 de maio de 2020
RN Solidariedade Covid cobra fim das humilhações nas filas da Caixa Econômica

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O coletivo RN Solidariedade Covid, formado por profissionais ligados a universidades e de diversas áreas, divulgou uma carta em que critica a atuação da Caixa Econômica Federal em meio à pandemia, que tem levado milhares de trabalhadores a ficarem aglomerados no entorno das agências em busca do Auxílio Emergencial.

Para o grupo, os procedimentos de trabalho adotados pela CEF são perigosos e geram riscos de contaminação.

"O procedimento adotado pela Caixa Econômica Federal (CEF) quanto à forma de atendimento à população beneficiada pelo auxílio relacionado à calamidade pública, tem gerado imensas filas e aglomerados, o que expõe a população ao inevitável risco de transmissão do coronavírus e revela também, um tratamento desumano por parte da instituição", aponta a carta divulgada na última sexta-feira (01).

No Rio Grande do Norte e em todo o Brasil, trabalhadores informais, beneficiários do Bolsa Família e desempregados pelas restrições de isolamento tem virado noites para conseguir um bom lugar nas enormes filas. Debaixo de sol e chuva, a população busca informações, regularização de documentação e saque do benefício que varia entre R$ 600 e R$ 1.200, no caso de mulheres chefes de família.

O RN Solidariedade Covid reivindica que a Caixa adote medidas simples de proteção como a disponibilização de tendas externas, em locais arejados; a distribuição de máscaras às pessoas nas filas; a marcação física no chão, respeitando as normas preconizadas para o distanciamento.

"Conclamamos o Ministério Público, a Justiça Estadual e Federal e os demais Poderes Constituídos a exigir não somente da Caixa Econômica Federal, no Rio Grande do Norte, mas de todo o Sistema Caixa, em nível nacional, o respeito aos clientes e às normas de proteção individual e coletiva relacionadas à COVID-19", reivindicam.

Para o juiz e professor do curso de Direito da UFRN, Zéu Palmeira, a situação vista atualmente representa o desmonte das políticas de proteção social e mostra que o sistema capitalista não se preocupa em preservar vidas.

"O que estamos vendo hoje é uma incapacidade de liderar o combate ao coronavírus, diante da crise sanitária, e as pessoas estão vivendo a demora da proteção social. Seria necessário colocar uma maior proteção bancária para gerenciar e atender a necessidade da população, mas isso não acontece justamente porque não faz parte das intenções do Governo Federal proteger a vida da população, o próprio presidente relativiza o perigo do coronavírus e adota uma política que pode não matar, mas deixa morrer", explica Zéu.

Bancários alegam que estão em risco

Cerca de 50 milhões de brasileiros estão aptos ao recebimento do Auxílio Emergencial e, de acordo com o Sindicato dos Bancários do RN, apenas 30% dos bancários de somente um banco estão disponíveis para cumprir a tarefa nas agências.

O Sindicato encaminhou um ofício à Superintendência da Caixa solicitando algumas providências para diminuir os transtornos para os bancários, bem como enviou denúncia à vigilância sanitária devido à falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A entidade também tenta viabilizar uma reunião com o Ministério Público do Trabalho para tentar criar meios de diminuir os danos aos trabalhadores.

"É necessário que se descentralize o pagamento do auxílio emergencial incluindo outros bancos estatais, como o Banco do Brasil que tem capilaridade e tecnologia, para diminuir filas e desafogar os funcionários da Caixa. A humilhação a que estão sendo submetidas as pessoas que precisam do auxílio não podem ser descontados nos funcionários. O risco é constante. Já temos casos de Covid-19 entre bancários, situação que fez com que agências tivessem que passar por descontaminação", diz a entidade representativa dos bancários potiguares, em nota.

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