ENTREVISTA

Me Representa: Tati Ribeiro (Psol) quer chegar à Câmara Municipal para abrir caixa preta do Seturn

Ela diz que representa as mulheres negras e periféricas, além das LGBT’s. Tati Ribeiro é candidata pelo PSOL à Câmara Municipal de Natal com o número 50123. Ela é coordenadora da Rede Emancipa, uma rede de cursinhos populares que atua em todo o país ajudando jovens de baixa renda a entrar na universidade, e foi coordenadora política do mandato de Sando Pimentel (Psol) como deputado estadual.

No dia em que a greve de motoristas e cobradores de ônibus chega ao seu quarto dia em Natal, Tati diz que a população precisa saber o que há na caixa preta do Seturn, o Sindicato das Empresas dos Transportes Urbanos da capital. Tati Ribeiro é a entrevistada desta segunda (26) do “Me Representa”, a série de entrevistas da Agência Saiba Mais para as Eleições 2020 que propõe oferecer espaço ao debate para candidaturas de grupos subrepresentados no legislativo municipal, como negros e negras, LGBTQIA+, mulheres, população em situação de rua e periferias.

Cada convidado tem 30 segundos para se apresentar e um minuto para responder a cada pergunta. As entrevistas serão divulgadas todos os dias, a partir das 18h, tanto no portal quanto no canal da Agência Saiba Mais no Youtube. Para receber tudo em primeira mão, inscreva-se em nosso canal!

imagem: cedida

Confira a entrevista!!

Agência saiba Mais – Quem você representa?

 Tati Ribeiro – Eu represento, inicialmente, as mulheres negras, mulheres periféricas por ser uma moradora do bairro Nossa Senhora da Apresentação. Represento também as LGBT’s, as mulheres de uma maneira geral. Na verdade se a gente for falar de representação, eu represento tudo aquilo que a velha política não representa. Enquanto os mesmos homens brancos, héteros, continuam na câmara municipal, nas assembleias legislativas, na câmara federal, a gente quer uma política totalmente diferente que represente, de fato, a maior parte da população. Que represente os trabalhadores e trabalhadoras, os moradores e as moradoras da zona norte de Natal, que são sub-representados dentro da câmara municipal. Que represente uma política diferente, principalmente porque eu tenho já de cara, esse jeito e essa cara, que é totalmente diferente daquilo que a política faz.

Como pretende atuar para ampliar a participação política de grupos minoritários?

Primeiro que a gente tem discutido muito quais são as pautas mais importantes hoje para discutir Natal. Sem dúvida nenhuma, discutir o tema das mulheres, o tema da negritude, o tema das LGBT’s é muito central. Mas, a gente tomou uma decisão na nossa campanha. E eu falo “a gente”, porque constrói junto comigo uma série de mulheres negras e homens negros que querem pensar uma Natal diferente. Nós resolvemos que nós não vamos ter uma pauta específica ou propostas específicas para a população negra de Natal. Muito pelo contrário, nós vamos olhar cada uma das pautas pela perspectiva da negritude. Ou seja, a gente vai dizer que é preciso racializar cada um dos temas. Eu vou debater orçamento, a partir da minha visão racializada da cidade. Eu vou debater saúde, a partir da minha visão racializada. E é assim que a gente pode mudar Natal de verdade.

Como deve ser conduzida a discussão sobre Plano Diretor de Natal? quais os principais pontos?

O Plano Diretor de Natal precisa ser recomeçado do zero, a partir da discussão que foi feita há muitos anos atrás. Ignorando completamente esse processo antidemocrático que Álvaro Dias fez. Nós temos que recomeçar o debate, compreendendo que a gente tem um bom plano diretor, que entende a geografia da nossa cidade e que não olha para a especulação imobiliária e sim com o olhar daqueles que moram e querem cuidar da nossa cidade. O que precisa é de atualização. Como qualquer plano que existe na cidade. O que a gente não pode é deixar, os especuladores, os donos de imobiliária e construtoras sejam os donos de um plano diretor que quer, por exemplo, aumentar o tamanho dos prédios logo pertinho da praia, não porque isso seja bom para a cidade, mas porque isso é bom para o bolso deles. Inverter a lógica do lucro para a cidade é o que vai fazer de fato o plano diretor funcionar.

Quais suas propostas para o transporte público e a mobilidade urbana?

A gente precisa descobrir o que está acontecendo dentro da caixa preta da SETURN. É preciso uma CPI que olhe para o transporte público em Natal e que pense como a gente pode reorganizar de fato. Primeiro lugar, não tem licitação. Nunca teve licitação em Natal pra os ônibus, a gente precisa fazer licitação. Precisa que os ônibus sejam melhorados, que haja ônibus novos. Que a gente possa repensar a forma como se organiza a cidade. Tudo isso passa, inicialmente, por uma CPI. Chega de ficar fingindo que a gente não está vendo que a SETURN não se importa com a população e sim com seu lucro. Não dá para as empresas continuarem mandando no transporte público, enquanto a prefeitura aumenta os preços e não pensa naqueles que moram na cidade.

Qual Natal você quer construir?

Todo mundo vai falar que a gente quer uma Natal que seja diferente da Natal que a gente vive. Afinal de contas, ela está com muitos problemas. A gente vê problema no transporte, problema na educação, problema na saúde. Eu como educadora popular, por exemplo, quero uma Natal com uma educação mais inclusiva. Uma Natal que não tenha déficit de creches. Mas, principalmente, como uma mulher negra e LGBT, eu quero uma Natal que nos represente de fato. A câmara municipal hoje é o inverso da população de Natal, é o inverso da população brasileira. A gente precisa mudar essa lógica. Na minha opinião, para fazer isso, a gente precisa eleger mulheres negras para dentro da câmara municipal. Mas, a gente precisa pensar uma política que seja para essas mulheres, que são a maioria da população. E que infelizmente hoje, estão completamente deixadas de lado para que o lucro fale acima das vidas.

 

imagem: cedida
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