Lula de volta ao páreo fortalece projeto de reeleição de Fátima
Natal, RN 17 de jul 2024

Lula de volta ao páreo fortalece projeto de reeleição de Fátima

11 de março de 2021
Lula de volta ao páreo fortalece projeto de reeleição de Fátima

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Fátima Bezerra assistiu da janela do Congresso Nacional os 13 anos dos governos do PT na presidência da República. No ano em que o ex-torneiro mecânico finalmente subia a rampa do Palácio do Planalto, a professora da rede estadual entrava pela porta da frente da Câmara dos Deputados.

“Assistiu” é maneira de dizer. Como deputada federal e senadora, Maria de Fátima Bezerra foi da trincheira, do pelotão da frente, da tropa de choque petista.

Em 2002, quando “tudo” começou, por um acordo costurado por Lula “em nome da governabilidade”, o PT do Rio Grande do Norte foi obrigado a abrir mão de uma candidatura própria competitiva para apoiar aliados como o PSB, que naquela época apostava na então prefeita de Natal Wilma de Faria, outra professora, mas essa com raízes fincadas na família tradicional potiguar.

A imposição dos acordos nacionais articulados no andar de cima por Lula adiou o sonho do PT local governar o Rio Grande do Norte. Foi assim no 2º turno em 2002, no 1º e 2º turnos em 2006, com vitória de Wilma em ambas; na derrota de 2010 para Rosalba com apoio a Iberê Ferreira de Souza; e na vitória de Robinson, em 2014.

Se Jaques Wagner (PT-BA), Eduardo Campos (PSB-PE), Ricardo Coutinho (PSB-PB), Wellington Dias (PT-PI) e Flávio Dino (PCdoB-MA) pegaram seus estados nos “anos de ouro” dos governos Lula e Dilma, Fátima Bezerra já “estreou” no pior dos mundos, com Bolsonaro no poder.

E como a única mulher, entre os 27 governadores do país, a chefiar um Estado da federação.

Fátima foi a primeira governadora do Rio Grande do Norte a ultrapassar 1 milhão de votos e sem um presidente da República como aliado. Rosalba também governou com Dilma no Palácio do Planalto, mas divergências à parte, o PT nunca tratou adversários políticos como inimigos. Fátima, ao contrário, além da oposição irracional de Bolsonaro, encontrou uma gestão nacional sem cérebro e negacionista em meio à maior crise sanitária mundial dos últimos 100 anos.

Em nível local, uma calamidade: a petista recebeu um governo estadual esfacelado financeiramente, com dívidas de R$ 2,6 bilhões e quatro folhas do funcionalismo em aberto.

Mesmo a contragosto, até a oposição reconhece hoje o esforço que Fátima tem feito para quitar os salários atrasados herdados do governo Robinson. Das quatro folhas em aberto, o governo do PT já pagou duas, iniciou a terceira e garante que até 2022 paga a dívida total deixada pelo pai do ministro das Comunicações do governo Bolsonaro.

O desafio está posto e não é pequeno.

Após as eleições municipais, o tabuleiro político voltou as peças para 2022. A oposição ainda tenta se reorganizar após o xeque-mate dos eleitores nos candidatos das famílias tradicionais em 2018.

Até o ministro Facchin anular os processos contra Lula e devolver os direitos políticos ao ex-presidente, os adversários do PT no Rio Grande do Norte e a imprensa amiga das oligarquias ainda tateavam em busca de projeções para encontrar o melhor nome para enfrentar Fátima em 2022.

Um cenário com Bolsonaro sem adversários competitivos, em tese, não existe mais.

A notícia inesperada de Lula de volta ao páreo aumentou a dosagem de lexotan no que sobrou das casas de praia, de Pirangi a Jacumã, e nas cercanias de Petrópolis a Areia Preta.

O ex-presidente apto a disputar a presidência da República novamente não é apenas uma peça a mais no jogo. É um jogo novo, com novos cenários e vai obrigar, certamente, a uma revisão geral, de norte a sul, nas estratégias.

Se Fátima vem conseguindo arrumar a casa com Bolsonaro no Planalto, a sombra de Lula assusta ainda mais os adversários da professora petista. E não só por conta de mais uma eventual derrota, mas pelo que um segundo governo Fátima, numa dobradinha com Luiz Inácio de novo no Palácio do Planalto, representaria na transformação social do Rio Grande do Norte.

Com a certeza de mais investimentos, empregos e um olhar mais humano focado nas necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

Se há uma lição que Fátima aprendeu com Lula ao longo dos anos foi a capacidade de sentar à mesa para dialogar com qualquer setor, inclusive contrariando, muitas vezes, alas mais radicais do partido.

Ainda há muita água a passar debaixo da ponte de Igapó. Até porque depois de tudo o que aconteceu de 2016 para cá, ainda é difícil acreditar que a principal liderança popular do país vai chegar no próximo ano livre, leve e solto.

Mas com Lula no páreo, a história é outra.

2022 começou agora.

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