Estudante que denunciou professora da UFRN por racismo vai recorrer de arquivamento do processo
Natal, RN 20 de jun 2024

Estudante que denunciou professora da UFRN por racismo vai recorrer de arquivamento do processo

17 de junho de 2021
Estudante que denunciou professora da UFRN por racismo vai recorrer de arquivamento do processo

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A estudante do curso de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Amanda Pereira da Silva, avalia a melhor forma de recorrer da decisão da Universidade que optou por arquivar a sindicância interna aberta para apurar se houve racismo na conduta da professora, Flávia de Sá Pedreira. O caso ocorreu em janeiro deste ano quando, durante a disciplina de Historiografia Brasileira, a professora foi acusada pela estudante de relativizar a escravidão no Brasil, sem apresentar base teórica para apoiar a argumentação.

“Estamos avaliando o melhor caminho, se daremos continuidade dentro ou fora da universidade. Mas não ficará por isso mesmo. Não seria justo comigo, nem com quem passou e passa por isso dentro da UFRN. Até porque, isso não pode acontecer novamente. O que a professora Flavia fez comigo em sala de aula eu jamais imaginei ser possível de tão absurdo e violento. E, por isso, esperávamos uma sanção. Houve um desleixo da UFRN diante das violências que sofri, faltou zelo e cuidado por parte da instituição”, avalia a estudante que disse ter recebido apoio de alguns professores do departamento de História durante o caso.

“A fala sobre tempestade em copo d'água é retrato de como ela pensa o racismo dentro e fora da sala!”

O processo administrativo começou na Ouvidoria da UFRN e foi repassado para uma comissão de três professores, que decidiu arquivar a denúncia de racismo e indicar que aluna e professora fizessem um curso de comunicação não-violenta. A diretora do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), Maria das Graças Soares Rodrigues, homologou a decisão.

Professora Flávia de Sá Pedreira, do Dept. de História da UFRN I Foto: cedida

Esperávamos, ao menos, uma decisão de assédio moral. São várias questões colocadas, desde o termo “babaquice”, a acusação de racismo reverso, o comando da professora para que a estudante não estivesse mais na sala de aula com ela e não cursasse mais a disciplina, além de dizer que outro professor iria ‘ensaboar’ ela. São várias barbaridades que a professora vai falando e que a universidade considerou normais”, critica Hélio Miguel, advogado de Amanda.

 “Estamos analisando se vamos tentar via universidade porque pela forma como a decisão foi argumentada, não sabemos se vale a pena. Mas, certamente, vamos tentar em outras instâncias judiciais para mostrar os erros do processo que correu na universidade e como eles não resolveram a violação”, acrescenta Hélio.

Durante esse período, a estudante de História conta ter recebido apoio de alguns professores do curso, além do apoio psicológico da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE). Por causa da pressão psicológica que sofreu, Amanda trancou não só a disciplina da professora Flávia de Sá Pedreira, mas todas as matérias que estava pagando no semestre.

“Era o desejo dela me tirar da disciplina, tanto que repetiu três ou quatro vezes, além de dizer que iria me enviar pra disciplina do professor Raimundo Arrais, pra ele me ‘ensaboar’. Por conta de todo sofrimento que a professora Flávia tem me causado, ficou impossível não só assistir à aula dela, como acabei trancando todas as disciplinas do semestre”, conta Amanda, que pretende retomar as aulas esse semestre.

Em entrevista à agência Saiba Mais, professora de Historiografia Brasileira chegou a dizer que “fizeram tempestade em copo d’água”.

“Ela ( a professora Flávia de Sá) não só é assediadora e violadora, como se sente confortável nesse lugar. Em nenhum momento das oitivas ela se colocou a repensar as práticas e posturas racistas e assediadoras dela comigo, apesar de que em nenhum momento negou o que fez, até porquê temos o vídeo da aula e alunos e alunas para testemunhar o fato. A professora é violenta e egóica a ponto de me acusar de ‘Racismo Reverso’ pôr me contrapor a uma narrativa racista acerca de um conteúdo escolhido e exposto por ela em sala de aula. E como se não bastasse esse absurdo, ela se justifica ao dizer que não é racista pois que é casada com um homem negro e tem filho mestiço”, conclui Amanda.

Amanda Pereira da Silva, estudante de História da UFRN, abriu processo contra professora I Foto: reprodução redes sociais
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