Casal é investigado por venda clandestina de medicamento usado em casos graves de covid-19 em Mossoró
Natal, RN 22 de jun 2024

Casal é investigado por venda clandestina de medicamento usado em casos graves de covid-19 em Mossoró

16 de junho de 2021
Casal é investigado por venda clandestina de medicamento usado em casos graves de covid-19 em Mossoró

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O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta quarta-feira (16) a operação Hipoxemia, com o objetivo de combater o comércio clandestino de um medicamento prescrito por médicos em alguns casos graves de covid-19: o princípio ativo tocilizumabe. Um homem foi preso em Mossoró em flagrante e caixas do medicamento, além de outros com datas de validade vencidas, foram apreendidos. Ele e a esposa são suspeitos de crime contra a saúde pública.

O homem é farmacêutico e a mulher trabalha em uma farmácia. Para o MPRN, as atividades profissionais dos dois seriam utilizadas no comércio ilegal do tocilizumabe, já que para comercializar a medicação é necessário, primeiro, conhecimento técnico (temperatura, acondicionamento, prescrição etc) e, segundo, contatos com fornecedores (agentes públicos ou privados).

A droga, cujo valor médio é de R$ 850, estaria sendo vendida por R$ 2.500 pela dupla. As investigações sobre a atuação do casal foram iniciadas no início de junho. As investigações do MPRN apontam que o casal conseguiria obter a medicação por meios que não foram devidamente esclarecimentos.

O material apreendido será periciado e os remédios deverão ser enviados para a Unidade de Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) do Governo do Estado ou para a Secretaria de Saúde de Mossoró, onde serão cadastrados.

Em casos de covid-19 severa – que evoluem para hipoxemia (queda do oxigênio sanguíneo) refratária e necessidade de aumento progressivo de oferta de oxigênio suplementar (por máscaras, cateteres etc) – alguns médicos têm utilizado a droga tocilizumabe, um anti-inflamatório intravenoso, para conter o avanço da doença, reduzir o risco de morte em pacientes, podendo diminuir o tempo de internação e a necessidade de ventilação, segundo constatou um estudo preliminar da Universidade de Oxford.

De acordo com a apuração, os suspeitos aguardavam o momento adequado para abordar as vítimas, aproveitando-se da alta demanda causada pela calamidade derivada da pandemia para vender os medicamentos a preços elevados.

A grande procura pelo medicamento desencadeou sua escassez, tanto na iniciativa privada quanto no Sistema Único de Saúde (SUS). Diante do atual cenário de pandemia, do forte apelo emocional da doença e do extenso acometimento populacional, as famílias dos pacientes não poupam esforços para adquirir a medicação.

A isso se acrescenta o fato de o uso da medicação costumar ser curto, de modo que não se pode esperar dias para que a droga seja disponibilizada, do contrário a lesão pulmonar a ser evitada pode já ter se estabelecido. Em virtude dessa particularidade, os familiares preferem comprar a droga de uso hospitalar para tentar garantir a administração no momento adequado.

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