Metade da população do RN tinha alguma dificuldade de acesso à água antes da pandemia, segundo IBGE
Natal, RN 16 de jun 2024

Metade da população do RN tinha alguma dificuldade de acesso à água antes da pandemia, segundo IBGE

24 de junho de 2021
Metade da população do RN tinha alguma dificuldade de acesso à água antes da pandemia, segundo IBGE

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Apenas 48,2% das pessoas do Rio Grande do Norte consumia água oriunda de rede geral de distribuição, com abastecimento diário e tinha estrutura de armazenamento em 2019. Isso significa que a outra metade da população potiguar tinha alguma vulnerabilidade de acesso, o que poderia dificultar a higienização das mãos e de objetos no período anterior à pandemia de covid-19. Além disso, 2,2% da população vivia em domicílios sem banheiro. O percentual nacional é de 2,6%.

Os dados fazem parte da publicação “Indicadores Sociais de Moradia no Contexto da Pré-Pandemia de COVID-19”, divulgado na quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo tem como objetivo revelar a realidade social do país no cenário pandêmico, a partir de indicadores atualizados. A ideia é subsidiar governos e a sociedade civil com informações estruturais sobre as condições de vida da população brasileira.

No Brasil, o índice dos que têm acesso à agua assegurado é de 62,2%, mas a média do Nordeste é ainda menor, 41,1%. Dos nove estados, a Região Metropolitana de Natal é onde a cobertura de abastecimento é melhor, com 75,5%, seguida da Região Metropolitana de Aracaju, com 70,3%.

A capital nordestina com pior índice é Recife, com 33,4%. Pernambuco também é o estado que tem menos gente com abastecimento diário e estrutura para armazenamento, só 21,4%.

Em todo o país, o pior colocado é o Acre, na região Norte, com 19,3%; e o melhor, São Paulo, que tem 84,2% da população bem abastecida. Entretanto, é a capital de Minas Gerais que apresenta o melhor índice. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, 91,9% das residências são bem abastecidas.

O documento explica que o acesso à água limpa e segura é reconhecido como um direito humano essencial. “O seu provimento adequado em termos de frequência, volume e qualidade tem impactos diretos sobre as condições de saúde e de bem-estar da população”, destaca.

Em uma situação intermediária, em graus diversos de vulnerabilidade quanto a dificuldades para lavagem das mãos nos locais de residência, estão as pessoas que residem em domicílios abastecidos pela rede geral, porém sem estrutura de armazenamento ou sem abastecimento diário – grupo que representava 22,4% da população brasileira em 2019 e 38,6% da população potiguar. Essa vulnerabilidade decorre da possibilidade de indisponibilidade de água corrente por intermitências no fornecimento pela rede geral.

Tem ainda aqueles que residiam em domicílios com canalização interna, porém abastecidos principalmente por outra forma, que não a rede geral (11,9% no Brasil e 7,3% no RN), devido a riscos associados ao abastecimento por meio de soluções alternativas de abastecimento, como interrupções, contaminações e ciclos de chuvas.

Perfil social do abastecimento de água

O estudo do IBGE revelou ainda que, comparadas às pessoas que se declaravam brancas em 2019, as pessoas que se declaravam pretas ou pardas eram aquelas que concentravam uma parcela maior da sua população nos domicílios que, mesmo abastecidos principalmente pela rede geral de água, a frequência de abastecimento era inferior à diária, 12,5%.

A mesma relação também se confirmou para as pessoas que viviam em domicílios que não tinham na rede geral a sua principal forma de abastecimento de água e não contavam com canalização interna nos domicílios. Nesse caso, o percentual de pessoas que se declaravam pretas ou pardas e viviam em domicílios com essas características era de 4,8%.

Quanto ao nível de instrução, as pessoas que se declararam como “sem instrução ou fundamental incompleto” compunham o grupo mais representativo, tanto no caso dos domicílios que, mesmo abastecidos principalmente pela rede geral de água, a frequência de abastecimento era inferior à diária, como no caso dos domicílios que não tinham na rede geral a sua principal forma de abastecimento de água e não contavam com canalização interna nos domicílios. Esse mesmo padrão também foi observado na análise da “posição na ocupação”. Nesse caso, o grupo mais significativo foi o de “empregados sem carteira de trabalho assinada”.

Mais de 5,4 milhões de brasileiros não têm banheiro em casa

O estudo do IBGE revela que muitos domicílios não têm um cômodo usado para higienização pessoal. Os domicílios sem banheiros constituíam o local de moradia para 8,1% da população no Brasil em 2019. No Rio Grande do Norte, a proporção era de 2,2%.

Essa condição se apresentava mais significativa na região Norte, onde 20,7% das pessoas viviam em domicílios sem banheiro, com destaque para o estado do Acre, com 40,7% nessa situação em 2019. Na região Nordeste, destaca-se a Grande Teresina, com 10,2% das pessoas vivendo em lugares assim.

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