Morre José Marinho, ator do filme “Boi de Prata”
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Morre José Marinho, ator do filme "Boi de Prata"

13 de julho de 2021
Morre José Marinho, ator do filme

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Morreu nesta quarta-feira (13), aos 90 anos de idade, o ator, pesquisador e produtor recifense José Marinho. O artista e acadêmico foi um dos expoentes do Cinema Novo e teve passagem pelo Rio Grande Norte no final da década de 1970, quando filmou “Boi de Prata”, de Augusto Ribeiro Jr.

A historiadora Flávia Assaf, autora do livro “Boi de prata: política e cultura na estreia do sertão do Seridó no cinema terceiro-mundista brasileiro (1970-1980)” (2017), entrevistou o artista para a dissertação do seu mestrado.

“Eu o entrevistei por telefone. Estava muito lúcido, educado e passou tudo que eu precisava. Ele teve uma atuação política muito ligada à cultura, ao teatro e ao cinema”, destacou Flávia, citando outras obras nas quais Marinho estrelou.

O artista participou de "Terra em Transe" (1967), de Glauber Rocha, e "O Bandido da Luz Vermelha" (1968), de Rogério Sganzerla, das peças "Se Correr o Bicho Pega, se Ficar o Bicho Come" (1966) - montagem por Gianni Ratto da peça de Oduvaldo Vianna Filho - e "Dom Quixote de la Mancha", em adaptação de Luiz Augusto Marones (1972), e das telenovelas "Roque Santeiro" (1975), "Cambalacho" (1986) e "O Rei do Gado" (1997).

A militância de José Marinho começa em 1957, com atuação no Teatro Adolescente do Recife, encenando Ariano Suassuna e se prolonga até 1964 no Teatro de Cultura Popular (TCP), projeto associado às políticas de intervenção cultural do governo Miguel Arraes semelhante ao Centro Popular de Cultura carioca.

O golpe de 1964 fez com que ele fosse para o Rio de Janeiro, onde iniciou carreira acadêmica. O Departamento de Cinema e Vídeo, da Universidade Federal Fluminense, publicou nota de pesar em homenagem ao professor.

Marinho ingressou como professor na UFF em 1971, a convite dos professores Fernando Barreto e Nelson Pereira dos Santos. Foi coordenador do então existente Setor de Cinema, vice-diretor do Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) e chefe do Departamento de Cinema e Vídeo. Aposentou-se aos 70 anos, em 2000. Em 2004, recebeu o título de Professor Emérito.

“Sentiremos muita falta de sua afetuosa presença e das tantas histórias sobre o cinema e o cenário cultural brasileiro que Marinho nos contava, com sua memória prodigiosa”, diz o comunicado.

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