CIDADANIA

Potiguares mortos pela Covid-19 são homenageados no site “Inumeráveis”

O Matheus Aciole era o “embaixador da alegria” nas festas da família dele. Não perdia nenhum Carnatal e planejava os eventos da casa. Além disso, tinha o dom da cozinha, se formou em gastronomia, especializando-se em bolos, mas também preparava um excelente risoto. Ele cursava nutrição e sonhava em abrir a própria doceria quando a pandemia de coronavírus chegou ao país. Aos 23 anos, o natalense faleceu por complicações da doença, em 2020.

Assim como essa história, outras 7.074 (atualização até quinta-feira, 29) foram interrompidas pela doença somente no Rio Grande do Norte. No país todo, mais de meio milhão de vidas já foram perdidas pela displicência no cuidado contra o coronavírus.

Tentando dar visibilidade as trajetórias encerradas pela doença, Edson Pavoni e Rogério Oliveira criam o projeto colaborativo Inumeráveis, uma plataforma online dedicada a homenagear as vítimas da Covid-19. A ideia foi posta em prática em 2020 e tem amplitude nacional. No site, pelo menos 99 potiguares têm sua memória lembrada em descrições enviadas por familiares e amigos, como a de Matheus, citado no início desse texto.

Centenas de voluntários fazem o projeto acontecer. Jornalistas, comunicadores e escritores encontram e redigem os textos, que também passam por edição, apuração e moderação até serem publicados no site.

“O Inumeráveis é um memorial colaborativo. Isso significa que, se você é um familiar, se você perdeu alguém, vítima de coronavírus no Brasil, você é nosso convidado para prestar as suas homenagens neste espaço, que é um espaço muito solene, mas também de muita celebração dessa vida que existiu e tudo que ela transformou”, disse Pavoni em entrevista à Saiba Mais em junho de 2020. Na época, o estado potiguar alcançava a triste marca dos primeiros mil mortos por Covid-19.

 

Saiba Mais: Edson Pavoni: “A função do Inumeráveis é não deixar nenhuma dessas histórias virar número”

 

A ideia, ele esclareceu na ocasião, não era falar sobre números, mas “celebrar” pessoas. Atualmente, em entrevista ao jornal Estado de Minas Gerais, Gabriela Veiga, uma das lideranças do projeto.

“Os números não importam para a gente. Não falamos sobre eles. O que importa para gente é quem está lá, essa família que falou com a gente, mas o que eu posso te dizer é que falta muita história para contar, infelizmente. Queríamos muito parar de contar, mas vai demorar muito tempo ainda”, disse Veiga ao Estado de Minas.

De acordo com o veículo, ela coordena o núcleo de diversidade do Inumeráveis, focado em buscar histórias de minorias, como a comunidade negra, população indígena, quilombolas, periféricos, LGBTQIA+, além de pessoas com deficiência.

O projeto também pretende abrir um memorial físico em São Paulo (SP). A ideia é criar um espaço em que as famílias possam se despedir dos entes perdidos durante a crise sanitária, que impedia velórios tradicionais.

Quem deseja adicionar uma história ao memorial, participar voluntariamente ou ver as histórias contadas pelo projeto pode fazê-lo acessando o site Inumeráveis neste link.

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