Vídeo: Assaltantes atacam ciclistas na BR 101 entre Natal e Parnamirim. RN não tem estatística desse tipo de crime
Natal, RN 20 de jun 2024

Vídeo: Assaltantes atacam ciclistas na BR 101 entre Natal e Parnamirim. RN não tem estatística desse tipo de crime

29 de julho de 2021
Vídeo: Assaltantes atacam ciclistas na BR 101 entre Natal e Parnamirim. RN não tem estatística desse tipo de crime

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Era por volta das 19h30 dessa última terça (27) quando três ciclistas que pedalavam pela BR-101, na altura do Posto do Dudu, já em Parnamirim, foram atacados. Pelo vídeo, gravado por uma câmera de segurança, é possível observar que os três assaltantes ficam sentados à margem da BR-101, como se estivessem conversando, e partem para cima dos ciclistas que estavam de passagem pelo local. Das três vítimas, uma conseguiu escapar da abordagem.

O vídeo só ilustra um dos inúmeros relatos de roubos de bicicleta que têm ocorrido em Natal e região metropolitana nos últimos meses. Na segunda (26), um ciclista que mora na avenida Maria Lacerda, em Parnamirim, foi assaltado por volta das 21h e no sábado passado, uma ciclista teve a bicicleta furtada da casa da mãe.

Apesar dos grupos de ciclistas cada vez mais numerosos pelas ruas da capital potiguar e do esporte ser incentivado em todas as grandes cidades do mundo, até como alternativa aos carros particulares, em Natal os ciclistas continuam numa briga desigual com o trânsito e a violência. Não existe uma estatística que contabilize os roubos de bicicleta em qualquer cidade do Rio Grande do Norte. As informações são levantadas de maneira informal, entre grupos de ciclistas, isso porque a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social tem registro, apenas, do roubo de veículos automotores, como carros e motocicletas.

Quem já foi vítima de algum assalto costuma repassar os momentos de terror na cabeça, num looping acompanhado de uma preocupação sempre no presente. Mas, enquanto muitas vítimas não conseguem esquecer, Fábio Fonseca, professor do departamento de Políticas Públicas da UFRN, não consegue lembrar do que aconteceu quando teve a bicicleta roubada por causa de uma agressão que sofreu na cabeça.

“Fui assaltado no dia 15-03, uma data para não se esquecer. E não esqueço, pois 31 anos atrás, ou seja, no dia 15-03-1990 foi a posse do então presidente Fernando Collor de Melo. E, portanto, também atribuo à sua gestão a explosão de violência que temos hoje. No dia mesmo do meu assalto, fui pedalar sozinho de minha residência para o Cajueiro de Pirangi. Passei a entrada da barreira do inferno e... somente me lembro de quando estava no carro dos bombeiros que foram que me prestaram os primeiros socorros”, conta Fábio.

Fábio Fonseca, durante uma de suas pedaladas

O assalto chegou rápido ao conhecimento dos amigos porque outros ciclistas que também estavam no local fizeram fotos e vídeos de um homem que tinha sido assaltado e estava "falando coisas sem sentido" aos policiais que atendiam à ocorrência. As frases vazias de significado, eram resultado da pancada que o professor tinha sofrido na cabeça.

“As sequelas físicas foram fortes dores nas costas, tanto que tive que fazer dez sessões de fisioterapia e, depois disso, muito alongamento em casa. Fiquei absolutamente sem memória no momento imediato depois do assalto, que ocorreu com violência. É como se aquele evento não tivesse existido”, descreve.

Apesar do ocorrido, depois de recuperado, Fábio voltou a pedalar. O (s) assaltante (s) ou sua bicicleta, nunca foram encontrados. Uma rotina que parece se repetir com outras pessoas, diante da sequência de assaltos que continuam sendo registrados, pelo menos, nos grupos dos ciclistas.

O sentimento é de indignação, pois as autoridades competentes ainda não puseram na sua agenda pública o assalto a ciclistas na região da Grande Natal. E não é culpa da Polícia Militar que, para mim, faz um excelente trabalho. A culpa é mesmo devido a essa falta de articulação entre todos os órgãos da gestão pública. Assim sendo, nós ciclistas estamos sempre disponíveis para sermos ouvidos e tentar contribuir para a diminuição dos assaltos ou furtos de bicicleta para que possamos exercer nosso direito constitucional de ir e vir”, comenta o professor.

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