Diretores sindicais atestam que violência contra jornalistas é institucionalizada a partir de Bolsonaro
Natal, RN 28 de mai 2024

Diretores sindicais atestam que violência contra jornalistas é institucionalizada a partir de Bolsonaro

31 de agosto de 2021
Diretores sindicais atestam que violência contra jornalistas é institucionalizada a partir de Bolsonaro

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A institucionalização da violência tem o objetivo de tirar a credibilidade do trabalho da imprensa e fragilizar a democracia e o acesso à informação. É nisso que acreditam as principais entidades da categoria.

Abrindo a programação de aniversário de quatro anos da Agência Saiba Mais, que tem como tema “O jornalismo e o combate ao discurso do ódio”, o Balbúrdia desta terça-feira (31) debateu “A escalada de violência contra jornalistas”, com a presença da vice-presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, e o presidente do Sindicato de Jornalistas do Estado (Sindjorn), Alexandre Othon. Na bancada, estavam os jornalistas Rafael Duarte, Jana Sá e Cledivânia Pinheiro.

Juntos, eles falaram sobre a violência que tem marcado o exercício do Jornalismo no Brasil, liderada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). É ele o principal agressor desses profissionais, com predileção por insultar mulheres.

De acordo com Samira de Castro, a Fenaj tem uma equipe que monitora as falas oficiais do presidente e manifestações nas redes sociais. Foi assim que a entidade constatou, por exemplo, que em 2020, os ataques cresceram 105,77%. Naquele ano, dos 152 casos de descredibilização do trabalho dos jornalistas, Bolsonaro foi responsável por 142.

“Quando Bolsonaro vai assumir acontece o episódio da cobertura da posse, em que a imprensa foi avisada de que não fizesse movimentos bruscos porque poderia ser alvejada pelos atiradores de elite no trajeto do presidente; foi impedida de acessar as autoridades presentes; e confinada em uma sala sem água, sem banheiro, sem café – numa situação absurda”, lembrou a jornalista, que atua na imprensa do Ceará há cerca de 20 anos e está na diretoria da Federação desde julho de 2019.

A representante da Fenaj lembra ainda que antes disso, o assessor de campanha do presidente xingou os jornalistas em um grupo de WhatsApp, como demonstração do que estava por vir para a categoria.

Depois os ataques passaram a ser constantes, ressaltou ela, ao destacar também que Jair Bolsonaro passou a usar as redes sociais pessoais como veículo oficial, em detrimento da Secretaria de Comunicação do governo e de meios tradicionais como coletivas de imprensa, que dão chance de questionamentos diretos. Tudo isso, na opinião de Samira, dava sinais de autoritarismo na relação com a imprensa, além de imitar o estilo do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

“A gente teve uma amostra de como subiu o tom da violência contra os jornalistas, essa violência verbal do presidente e que se prolifera nas redes através dos seus seguidores, dos seus partidários, do seu staff de ministros. Por isso a gente fala que é uma violência institucionalizada”, detalhou Samira de Castro.

O presidente do Sindjorn citou episódios que mostram a difusão dessas violações ao exercício da profissão, inclusive com tentativas de censura à Agência Saiba Mais.

“A violência trazida pelo presidente da república perpassa todos os graus de insanidade mental. Isso afeta o cidadão e governadores, prefeitos, perpassa o Poder Judiciário. A Fenaj quase todo mês se associa a sindicatos locais contra agressão a jornalistas, empresas que agrediram jornalistas...”, disse Alexandre Othon, avisando que o Sindjorn está atento principalmente a violência física e ameaças de morte.

O presidente sindical falou também sobre a importância de denunciar esses casos e ainda os de assédio no trabalho, sempre com o apoio do Sindicato, do Ministério Público e de autoridades policiais. “Ninguém deve ser calado em uma redação, principalmente as mulheres”.

Samira chamou atenção para a misoginia que marca presença histórica dentro das redações com suas repórteres e se expressando também na produção, que pouco ouve as mulheres.

O caminho apontado por ela é a luta organizada: “Eu gosto muito do Chico Science que diz que ‘me organizando eu posso desorganizar’. A gente tem que ter esse espírito de categoria, saber que uma agressão a um jornalista é uma agressão a todos e uma agressão a uma mulher jornalista é vergonhosa e é uma agressão a todas as mulheres”.

Confira o programa:

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