Bolsonaro espalha fake news sobre voto impresso e fala de disputa entre Rogério Marinho e Fábio Faria em entrevista a rádio do RN
Natal, RN 20 de mai 2024

Bolsonaro espalha fake news sobre voto impresso e fala de disputa entre Rogério Marinho e Fábio Faria em entrevista a rádio do RN

4 de agosto de 2021
Bolsonaro espalha fake news sobre voto impresso e fala de disputa entre Rogério Marinho e Fábio Faria em entrevista a rádio do RN

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Em entrevista ao Meio Dia RN, programa da rádio 96FM, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não perdeu tempo e já de cara voltou a defender o voto impresso usando, para isso, o argumento mentiroso de que dois relatórios da Polícia Federal apontavam para a possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas.

Temos dois laudos da Polícia Federal dizendo que as urnas não são confiáveis e que precisa de um mecanismo para que o voto seja contado de verdade”, disse Bolsonaro.

Ao contrário do que afirma o presidente, um relatório elaborado pela Polícia Federal apontou que não há registro de investigações sobre possíveis fraudes nas urnas eletrônicas desde 1996, quando o método foi implantado em todo o país. O documento foi elaborado à pedido da Corregedoria do órgão, que solicitou o levantamento à Superintendência de cada estado. O único relatório encontrado relacionado à eleição foi em Vila Velha, no Espírito Santo, mas que trata de uma tentativa de estelionato e não de fraude. A matéria foi publicada pelo jornal Estadão, que tem linha editorial conservadora e de direita.

Em várias ocasiões públicas, Bolsonaro disse que houve fraude nas eleições em 2018, a mesma na qual foi eleito presidente. Ele chegou a prometer que apresentaria as provas da fraude nas urnas na live da última quinta, 29 de julho. Mas, no dia da transmissão, o presidente voltou atrás e disse que tinha apenas “indícios” e não provas de que as urnas tinham sido fraudadas.

Ainda durante a entrevista ao vivo à rádio potiguar, Bolsonaro disse que corre risco de vida ao participar de movimentações públicas e que os gastos com segurança nas motociatas já ocorreriam de qualquer jeito, com ele estando no Rio Grande do Norte ou em Brasília. No entanto, dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostraram que foram gastos R$1,2 milhões dos cofres públicos somente com as equipes para garantir a segurança do presidente durante uma das motociatas realizadas com sua presença no estado.

Apesar do índice de 14,7% (14,761 milhões de pessoas) de desemprego no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o presidente também garantiu que a economia formal estava indo bem no país e que deve voar a partir do ano que vem, já que não estão “fazendo besteira”.

Bolsonaro ainda defendeu o acesso às armas pelos “cidadãos de bem” como forma de garantir a democracia e combater a violência, cujos índices estariam caindo no país por causa da maior facilidade para compra de armas. Enquanto entre 2012 e 2018 foram registradas 303 mil armas na Polícia Federal, esse número saltou para 320 mil apenas entre 2019 e 2020. Porém, pesquisadores da segurança pública relatam que os principais documentos utilizados na análise estatística de homicídios no Brasil, como o Mapa da Violência e o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apontam que mais armas em circulação, resultam em um maior número de homicídios.

Ao falar sobre as políticas para o campo e para os indígenas, Bolsonaro chegou a ser irônico ao comentar que “o campo está feliz com a gente”. O motivo? O fato do Governo Federal ter suspendido a demarcação de terras indígenas e quilombolas. Na visão do presidente, o objetivo das demarcações e preservação de áreas indígenas  é prejudicar o agronegócio.

Covid-19

Em tom blazê, Bolsonaro afirmou que será o último a se vacinar contra a covid-19 no país, já que as doses estão em falta. No entanto, adiantou que não vai tomar a “vacina de São Paulo”, numa referência à Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Cerca de 83% dos imunizantes contra a covid-19 aplicados no país são Coronavac. O que Bolsonaro não deixou claro, na verdade, é que o que está em jogo com essa declaração é a guerra nos bastidores da política já que o estado de São Paulo, que produz a Coronavac, é administrado pelo governador João Dória (PSDB), que tenta se viabilizar para concorrer às eleições presidenciais de 2022. Ou seja, será um possível concorrente.

Briga entre ministros potiguares?

Durante a entrevista, Bolsonaro foi questionado sobre o futuro político dos ministros potiguares, ao que o presidente deixou escapar a existência de conflitos numa suposta disputa interna entre Fábio Faria (Comunicações) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional).

Ele (Faria) quer uma coisa e parece que o outro (Marinho) também quer a mesma coisa. Aí não pode... quem sabe no final das contas eles não chegam a um entendimento porque é bom para o estado ter os dois na política”. Será?

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