Covid-19: quase 80 pessoas em situação de rua estão com segunda dose da vacina atrasada em Natal
Natal, RN 30 de mai 2024

Covid-19: quase 80 pessoas em situação de rua estão com segunda dose da vacina atrasada em Natal

5 de agosto de 2021
Covid-19: quase 80 pessoas em situação de rua estão com segunda dose da vacina atrasada em Natal

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O negacionismo também chega às ruas e prejudica o avanço pleno da imunização contra a covid-19. A conclusão da enfermeira Shimene Dias, técnica da equipe da Unidade de Políticas Transversais e Promoção à Saúde (UPTPS) e integrante da Diretoria de Políticas Intersetoriais e Promoção à Saúde (DPIPS), que acompanha a vacinação da população em situação de rua e estima que cerca de 80 indivíduos estejam com a segunda dose da AstraZeneca atrasada.

A vacinação desse público começou em março com o imunizante de Oxford. Somente em junho, com a chegada dos primeiros lotes da vacina de dose única, Janssen, as autoridades sanitárias do Rio Grande do Norte decidiram destiná-las prioritariamente aos que vivem sem moradia fixa, já que é mais difícil o acesso e é extrema a vulnerabilidade deles.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), aproximadamente 750 dessas pessoas já foram imunizadas na capital. Em Natal, a população em situação de rua é estimada em 1.214 pessoas, segundo plataforma de Business Intelligence (BI) do Ministério Público Federal e Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) – a partir das bases de dados do Centro Pop, Cadunico, E-SUS, SMS e RN+Vacina.

“Nem esperava vacinar tanto com dose única, justamente por ter sentido esse impacto das fake news nas ruas de uma forma muito fortalecida, mas a gente conseguiu avançar bem, graças a um bom trabalho feito por uma equipe multidisciplinar, juntos dos voluntários e Movimento Nacional [da População em Situação de Rua]”, conta Shimene.

Ela conta que ainda há um atraso significativo e que é as equipes buscam estratégias para contornar esse desafio.

“A gente obviamente não pode imunizá-los de forma compulsória. Eles têm que ter o desejo de se imunizar e com relação à D2 sinto muito forte esse impacto embasado nas fake news e também na experiência da primeira dose, por causa das reações que podem ser fortes. Acho que isso acabou assustando e pelo ‘disse-me-disse’ acabam não querendo tomar a segunda”, explicou a servidora.

O conselheiro nacional de saúde e coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Vanilson Torres, também opina sobre o fato. "Se pra quem tem moradia é complicado ter reações à vacina, imagine alguém que está na rua, sem amparo nenhum”, alerta, indicando a necessidade de amplo trabalho de conscientização e assistência.

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