TRANSPARÊNCIA

“Vagabunda, ordinária e mal amada”. Homens destilam ódio nas redes sociais contra a deputada Natália Bonavides

“Isso é falta de rola” diz antonio_quintas. “rapariga”, escreve carlosalberttoalbertto1. “V A G A B U N D A”, grita e s p a ç a d a m e n t e jacksonsouzabjj. “ván ga bun da”, soletra erradamente c.júnior.rn.”a solução é tu sumir do rn”, ameaça o denner.oticapremium. As expressões agressivas, infelizmente, são corriqueiras e neste sábado (22) foram expostas pela deputada federal Natália Bonavides (PT) em seus perfis sociais. Em um texto de desabafo, denúncia e resistência, a deputada federal mais jovem do PT no congresso nacional disse que se depara todos os dias com esse tipo de abordagem – geralmente de homens – que vão às redes sociais desafogar o ódio e incitar violência.

“Essas atitudes precisam ser sempre enfrentadas e denunciadas, principalmente num momento em que o país tem na presidência uma pessoa que não possui nenhum compromisso com a luta das mulheres e que muitas vezes estimula a violência de gênero”, disse a deputada à Agência Saiba Mais. E completou, “Por isso, não nos calamos. Lugar de mulher é onde ela quiser e continuaremos entoando nossa voz em defesa da classe trabalhadora, nas ruas, nas roças, nas redes, nos parlamentos, nas escolas e onde mais pudermos estar”.

Nas redes sociais, Natália expôs alguns comentários que sua equipe de comunicação printou nos últimos dias. As agressões são escritas em comentários de publicações de blogs ou em postagens de redes sociais. Também é frequente receber em mensagens diretas do Instagram e Facebook.

As ofensas são corriqueiras, mas se tornam mais frequentes quando há divulgação de pesquisas de opinião pública atestando a popularidade do trabalho da deputada. “Menos de 24h após meu nome aparecer em 1º lugar na pesquisa Sensus para deputada federal 2022, sou alvo de ataques, ameaças e discursos de ódio. Alguns nem cabe colocar aqui. Tem sido um padrão após cada pesquisa em que apareço liderando”, comentou a Natália nas redes sociais.

Além do material exposto, a deputada lida diariamente com as mentiras que são construídas e exaustivamente distribuídas em redes sociais. Uma dessas é afirmando que Natália seria filha de Valdetário Carneiro e que teria trocado de nome para esconder o parentesco. Essa ‘fake news’ já foi documentada e o autor deve ser acionado na justiça.

“Essas agressões mostram uma das faces do que é ser mulher na política, e de ter uma posição em defesa das trabalhadoras e dos trabalhadores”, lamenta a deputada que, inclusive, é membro da CPI da ‘Fake News’ no Congresso Nacional que investiga a atuação de milícias digitais estruturadas e pagas com dinheiro público para destruir a reputação e incitar o discursos de ódio contra quem é oposição ao Governo Federal.

“Aqui no RN há uma verdadeira indústria de ‘fake news’, muito bem estruturada e paga por estruturas políticas e econômicas”, alertou ela em entrevista ao programa Balbúrdia, no canal do Youtube do Saiba Mais.

Deputada recebe solidariedade

Na postagem de alerta feita por Natália Bonavides nas redes sociais, há muitas manifestações de solidariedade e apoio. Até as 18h deste domingo (22), no Facebook, Instagram e Twitter a postagem já somava mais de 20 mil interações (entre likes, comentários e compartilhamentos).

A Associação de Juristas Potiguares pela Democracia e Cidadania (AJPDC) divulgou uma nota de repúdio contra a “violência de gênero sofrida pela Deputada Natália Bonavides”. O texto diz que é “evidente o incômodo com a atuação das mulheres no parlamento, o que denota que a posição de destaque ocupada por uma mulher tende a movimentar ainda mais a engrenagem do machismo”.

Os juristas lembram que a América Latina é ainda tímida na paridade de gênero, citando a pesquisa Global Gender Gap Report 2021 do Fórum Econômico Mundial. O estudo aponta que a igualdade de gênero está ainda mais distante das mulheres devido à pandemia de covid-19 e levará 135,6 anos para ser conquistada. Antes a expectativa era de 99,5 anos. De acordo com a pesquisa, o Brasil fechou 69,5% de sua lacuna geral de gênero, alcançando a posição 93 globalmente. Entre os 26 países da América Latina que participaram do levantamento, o Brasil ficou em 25º lugar.

Os juristas defendem a paridade de gênero na política. “O fim da cultura de violência contra as mulheres e a emancipação feminina são pressupostos para a construção de uma sociedade mais justa, onde reafirmamos nossos compromissos com a primazia da dignidade da pessoa humana, redução das desigualdades sociais, prevalência e efetividade dos direitos humanos”. O texto encerra com solidariedade à Deputada Natália Bonavides: “Repudiamos todas as formas de violência de gênero e ratificamos a defesa intransigente da democracia”.

Veja postagem da deputada no Twitter:

 

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