Variante Delta faz estados prolongarem medidas restritivas. RN não tem casos registrados
Natal, RN 27 de mai 2024

Variante Delta faz estados prolongarem medidas restritivas. RN não tem casos registrados

10 de agosto de 2021
Variante Delta faz estados prolongarem medidas restritivas. RN não tem casos registrados

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Com o progresso lento da vacinação, a variante Delta do novo coronavírus tem feito regredir a retomada de atividades presenciais em alguns estados brasileiros. O Rio Grande do Norte não tem casos confirmados dessa cepa, mas no vizinho Ceará, com infectados em onze municípios, o governo estadual resolveu prorrogar decretos que ainda restringem horário de funcionamento de estabelecimentos comerciais e lotação em eventos.

No Nordeste, Paraíba, Piauí, Sergipe e Bahia também não identificaram casos da covid-19 com a versão mais transmissível do vírus. Apesar disso, desde meados de julho, a variante Delta do novo coronavírus é predominante em todo o mundo.

Em março, o Maranhão detectou casos da variante Delta em seis tripulantes do navio 'MV Shadong da Zhi', que testaram positivo para o novo coronavírus. Um deles, de 52 anos, morreu após ficar 43 dias internado em um hospital de São Luís.

Os outros infectados com a variante foram isolados em alto mar. Após uma análise, o Governo do Maranhão descartou casos de transmissão comunitária da doença no estado.

Nesta semana, Pernambuco chegou a cinco ocorrências da Delta. Todas são de tripulantes filipinos do navio cargueiro Shoveler, que chegou ao Recife em 30 de junho.

Já Alagoas confirmou os dois primeiros casos na segunda-feira (9), dois homens de 63 (que não se vacinou) e 24 anos, residentes em Maceió e Palmeira dos Índios, respectivamente. Eles estão sendo monitorados, junto com suas famílias, pelas equipes da Secretaria Estadual de Saúde.

Investigação no RN

A rede estadual não dispõe de tecnologia para o sequenciamento genético do vírus Sars-CoV-2. Por isso, as amostras são enviadas para o Instituto Evandro Chagas, em Belém, no Pará.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), em média 10 exames suspeitos foram enviados mensalmente para esse exame mais detalhado. Esse é um dos motivos que levaram o Estado a intensificar a vigilância no Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante.

A ideia inicial é realizar testes rápidos em quem esteja chegando ao estado e se voluntarie para o exame. Em caso de positivo, o passageiro será isolado e passará por um novo teste, dessa vez de RT-PCR. O transporte da pessoa ao local de isolamento será feito pela Sesap.

Além do controle de testagem, a equipe de epidemiologia do estado também poderá fazer, em alguns casos, o sequenciamento dos coronavírus eventualmente identificados em passageiros infectados, a fim de rastrear as cepas circulantes.

O pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN) Leonardo Lima acredita na existência de casos da variante no estado que estão sem identificação.

“Dada a dispersão da variante Delta, provavelmente já existem casos no estado, mas isso não foi comprovado”, declarou Lima, que é doutor em Imunologia Básica e Aplicada pela FMRP/USP, realizou parte dos seus estudos na Johns Hopkins University – School of Medicine.

Ele explica que a variante Delta é altamente transmissível e já representa quase metade dos casos no Rio de Janeiro, o que motivou a suspensão das aulas presenciais da rede estadual em 36 municípios.

Os sintomas da doença causada pela cepa que surgiu na Índia são semelhantes aos do vírus original e não há indícios de que haja maior gravidade entre esses casos. “Por ser mais transmissível, essa variante deixa mais pessoas doentes ao mesmo tempo. E, por isso, há maior chance de ter doentes graves nesse grupo. Ela não tem maior letalidade.”, detalhou, ao alertar que é preciso reforçar a importância da vacinação para combater a pandemia, inclusive com busca ativa daqueles que não retornaram ao ponto de vacinação para segunda dose.

“A vacinação tem um papel fundamental. Tem vacinas hoje disponíveis eficazes contra todas as variantes. A imunização é fundamental para evitar que surja nova variante que não seja coberta pela vacina. O processo de vacinação é individual mas é importante para toda a comunidade”, destacou o especialista.

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