DEMOCRACIA

“Vencer Fátima não vai ser fácil, mas não existe eleição garantida”, diz publicitário especialista em marketing eleitoral

O jornalista e publicitário João Maria Medeiros dirigiu campanhas no Rio Grande do Norte, em outros estados e até países. Em 2006, ele trabalhava no Mato Grosso, quando foi convocado às pressas pelo então candidato ao governo do Rio Grande do Norte Garibaldi Alves Filho (MDB).

O objetivo era derrotar a atual governadora Wilma Faria (PSB), candidata à reeleição que aproveitou uma frase infeliz, carregada de arrogância, para carimbar no adversário a pecha de “governador de férias”.

Numa conversa franca com o sobrinho de Aluízio Alves, João Maria sentiu a pressão:

– Garibaldi me falou: João, me disseram que eu era o candidato de férias e fui acreditar nisso”, contou.

João Maria Medeiros foi o entrevistado do Balbúrdia desta segunda-feira (23) e usou o exemplo do “governador de férias” para reafirmar que não existe eleição ganha. Questionado se Fátima Bezerra teria adversários na disputa para a reeleição em 2022, foi incisivo:

– Não se ganha governo sozinho, é preciso coalizão. Não vejo hoje adversários (na disputa com Fátima), nesse momento, porque os nomes da oposição não decolam. Vencer Fátima não vai ser fácil, mas não existe eleição garantida”, afirmou o especialista em marketing eleitoral que acredita que uma eventual composição do PT com o MDB fortaleceria o projeto de reeleição da atual governadora:

– Se a governadora discute é mais fácil negociar. (O resultado eleitoral de 2018) não desmontou as oligarquias como a gente pensava. Os chamados outsiders vão cair porque não estão apresentando nada em favor do Rio Grande do Norte. Uma composição com o MDB, um partido estruturado, deixaria eleição ainda mais forte”, analisou.

Para João Maria, que coordenou a campanha vitoriosa do ex-governador Robinson Faria (PSD) em 2014, a presença de Lula vai fortalecer a reeleição da governadora do PT e poderá ter como efeito até a ampliação da bancada:

– Lula vai ter a oportunidade de dizer que se equivocou na última eleição de 2014 (ao apoiar Robinson) e, com isso, abrir a chance de reforçar que com a governadora vai ser diferente porque o Rio Grande do Norte já a conhece. E isso fortalece a reeleição de Fátima e pode resultar num crescimento do campo das eleições proporcionais”.

João Maria Medeiros, publicitário e especialista em marketing eleitoral

Ele criticou a atual oposição ao governo Fátima, a quem classifica como “muito desarticulada, mas barulhenta”. Olhando para a vitória petista em 2018, o jornalista acredita que a conquista mostrou a força pessoal da atual governadora num momento difícil para o PT, com a principal liderança da sigla presa e a sociedade ainda sem saber do conluio armado entre o ex-juiz Sérgio Moro e a força-tarefa da Lava Jato para tirar do páreo o líder das pesquisas até então. Ao se debruçar sobre pesquisas qualitativas, Medeiros conta que os eleitores reconhecem Fátima como uma pessoa coerente:

– Naquela eleição Fátima enfrentou um candidato que prometeu e não conseguiu entregar aquilo que prometeu, e do outro lado um candidato oportunista. E ela era uma candidata que já vinha de um trabalho no Senado. A vitória de Fátima em 2018 tem muito mais da envergadura e da estrutura dela. É reconhecida como deputada que sempre trabalhou pela educação, pelos Institutos Federais. E Fátima hoje, como governadora, é muito maior que governo dela e que o partido dela. Começo a enxergar, nas pesquisas, a linha de coerência da governadora. Ela tem se mantido coerente em seus princípios. Se criou uma expectativa da governadora, que sempre foi sindicalista. Mas ela faz um governo que trata os setores com responsabilidade, e especialmente, tem responsabilidade com o Estado”, analisa.

Embora a atual governadora venha liderando todas as pesquisas divulgadas até o momento, João Maria Medeiros destaca que a eleição de 2022 ainda está indefinida:

– As pesquisas espontâneas (quando os nomes dos candidatos não são citados ao eleitor) mostra que temos um nível muito alto, acima de 50% e em alguns casos acima de 60%, do eleitor que não sabe em quem votar. A oposição lançou balões de ensaio e é desconectada porque atua muito mais em benefício próprio, em seus guetos. Acho inclusive que a Assembleia Legislativa perde a oportunidade de discutir o Rio Grande do Norte e discutir o governo. E pesquisa é o retrato do momento. Até outubro de 2022 temos muito caminho a percorrer. Essa força com que a governadora aparece é mais a aprovação à gestão dela do que outra coisa. Eu diria que se a eleição fosse hoje talvez Fátima ganhasse, mas as pesquisas mostram que a eleição está aberta”, destacou.

Assista na íntegra a entrevista com o jornalista, publicitário e especialista em marketing eleitoral João Maria Medeiros:

 

 

 

 

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"