​7 de Setembro de 2021: O começo do fim?​​
Natal, RN 24 de mai 2024

​7 de Setembro de 2021: O começo do fim?​​

6 de setembro de 2021
​7 de Setembro de 2021: O começo do fim?​​

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Nunca na história desse país, como diria um certo ex-presidente da República, tivemos um de setembro tão aguardado. E tão tenso. Nem mesmo em tempos de Ditadura Militar. Obra e graça, e não poderia ser diferente, de Jair Messias Bolsonaro, o sociopata que ocupa a cadeira de presidente, que resolveu fazer da data da Independência do Brasil (data, aliás, questionada e controversa, mas, aí é outro assunto) um balão de ensaio para seu AI-5 participar e para intimidar os poderes da República.

​Durante semanas​ assistimos ao bolsonarismo (movimento que hoje é uma seita e nada tem de política) se preparar para as "manifestações" desta data. De apoio a Bolsonaro. E apoiar Bolsonaro hoje significa defender o fechamento, ou qualquer coisa parecida, do Congresso e, principalmente, do STF. Ou seja, o bolsonarismo perdeu seu verniz de indignação "cidadã" e partiu para os finalmentes: querem Ditadura Militar, repressão aos adversários e um governo totalitário.

A pergunta que não quer calar é: O Bolsonarismo tem força para isso? Melhor ainda: Haverá golpe ou não?

Não sei e pelo que leio também ninguém sabe. Golpe ao modelo de 1964, como eles sonham, com tanques nas ruas e caça aos inimigos políticos, é improvável acontecer. Os tempos são outros. Mas, um modelo de golpe mais elaborado, de carcomer e aparelhar as instituições e criar um mundo paralelo, isso já está em andamento.

Na verd​ade, neste 7 de setembro é inevitável que vejamos as multidões conclamadas por Bolsonaro nas ruas, seja na Avenida Paulista ou na Praça dos Três Poderes, com seu barulho habitual, cartazes golpistas e agressivos e performances pirotécnicas. Eles querem produzir imagens e munição midiática e isso conseguirão. A outra pergunta que não quer calar é: E como será o 8 de setembro? A Democracia estará trincada ou fortalecida? As instituições se mostrarão mais firmes ou mais amendrontadas?

Lendo as opiniões de pessoas que respeito, vejo que todas veem a questão sem alarmismo. Hildegard Angel escreveu que "Tenho a intuição de que o 7 de Setembro de Bolsonaro será como o Movimento dos Caras Pintadas, que enterrou o governo Collor, com humilhante rejeição popular". E de fato Bolsonaro vem derretendo nas pesquisas, vitimado pela inflação, crise econômica e gestão tresloucada da pandemia.

Wilson Gomes escreveu: "Havendo amanhã o golpe (sorry, "contragolpe") que o gado radical promete, seria a primeira vez na História em que um movimento dá um golpe de Estado justamente no momento em que é mais fraco em termos de aderentes e no controle da opinião pública e das instituições. Mas se vocês acreditam..."

Carlos Eduardo Alves (não o ex-prefeito de Natal, mas, o jornalista paulistano): "Os bolsonaristas são enfermos políticos e os cabeças da coisa sabem que perderam a maioria. Não dá mais para recuperá-la. A tentativa de golpe é o delírio de estimação do momento e excita a milicada. Têm pavor da urna. Vão fazer barulho, tirar a fotografia do autoengano e preparar o golpe que será malsucedido".

Em suma, teremos barulho. Talvez alguma violência ou atos agressivos - sonho de Bolsonaro para justificar atos de exceção - mas não algo que dê poder para Bolsonaro dar o tal golpe que deseja, que não funcionará sem apoio maciço dos militares, do mercado financeiro e da mídia.

Quanto ao pós-7 de setembro, aí sim, poderemos ter dois cenários: Instituições amedrontadas com a pompa e circunstância do Bolsonarismo, o que seria o começo do fim da Democracia brasileira como - ainda - a temos hoje. No outro cenário, que considero até mais provável, Congresso, Judiciário, Mídia, Mercado (principalmente este) e população se cansariam de vez das bravatas do bolsonarismo e do desgoverno e acelerariam uma solução - qualquer uma - para o impeachment, aí configurando o começo do fim do bolosnarismo.

Em tempo: O bolsonarismo está fazendo muita gente perder dinheiro e não está sendo bom para os negócios. A não ser para a família de Jair, que compra mansões por milhões, e para a milícia do Rio de Janeiro, para quem a crise econômica não chegou.

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