TRANSPARÊNCIA

Laboratórios em nome de diretora do LACEN não prestam serviço a órgãos públicos: um está desativado e outro atende bairro das Quintas

A diretora do Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Norte Magaly Cristina Bezerra Câmara reafirmou nesta quarta-feira (1º) que não possui nenhuma empresa com vínculo ou serviço prestado a qualquer órgão público, dentro ou fora do Rio Grande do Norte.

A servidora pública é sócia de três empresas, sendo uma no modelo de Micro Empreendedor Individual (MEI), aberta para a comercialização de roupas antes dela ingressar na faculdade de Farmácia.

Dos outros dois laboratórios em que aparece como sócia, um está desativado há cerca de dois anos e o outro oferece serviços de hemograma, urina, glicose e sorologia a preços acessíveis à população do bairro das Quintas, na Zona Oeste de Natal.

Magaly foi acusada de mentir a CPI pelo presidente da comissão Kelps Lima (Solidariedade), que a questionou, no dia 18 de agosto, quando a servidora prestou depoimento, se ela era sócia de alguma empresa no Estado. Em nota divulgada horas após as insinuações de Kelps, a diretora do LACEN explicou que, como foi chamada para depor sobre um contrato de aquisição de testes de Covid, entendeu que a pergunta tinha relação com o tema investigado:

– Sou sócia em dois laboratórios de patologia clínica em Natal, um deles sem movimento nos últimos dois anos, e outro uma pequena empresa(ME) que realiza exames laboratoriais privados e que não presta nenhum serviço a NENHUM órgão público, muito menos ao governo do estado do RN”, disse em nota.

Magaly Câmara é diretora do LACEN e negou que laboratórios privados tenham vínculo com órgãos públicos / foto: Eduardo Maia

Em contato com a agência Saiba Mais, Magaly reforçou que entendeu que a pergunta era sobre os contratos investigados:

– Entendi que era uma empresa relacionada ao Governo do Estado, achei que estava sendo questionada se minha empresa prestava serviço para o poder público estadual. Nem passou pela minha cabeça mentir. Não considerei, que empresa privada, sem relação com poder público tivesse relação com o objeto da CPI. Entendi que era esse tipo de empresa e acho também que pelo nervosismo nem me lembrei”, explicou.

Na abertura da reunião da CPI de hoje, Kelps leu um requerimento apresentado pelo deputado Tomba Farias (PSDB) que será encaminhado aos governos da Paraíba e do Piauí para que esses estados se manifestem sobre algum contrato firmado com as empresas de Magaly Câmara.

A diretora do LACEN se adiantou e garantiu que não há qualquer contrato ou convênio firmado pelos laboratórios dela com outros governos:

Não tem nada com outros estados, com nenhum órgão público. O que acontece é que quando não temos condição de fazer algum exame enviamos a laboratórios de outros locais, como Recife, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo”, disse.

No depoimento a CPI, Magaly se emocionou ao lembrar a luta dos servidores do LACEN para acelerar o resultado dos testes de covid em meio à pressão dos familiares que perderam entes queridos para a doença. Aos deputados da comissão, ela chegou a declarar que esperava estar ali para ser homenageada em nome dos demais servidores, e não como alvo de suspeitas:

– Essa acusação (de que teria mentido) reforça mais ainda aquela minha percepção de que esperava mais respeito. Fizemos um trabalho desconhecido num primeiro momento. Nos dedicamos todas as horas que tínhamos, muito para dar uma resposta rápida à população. Era para ser um momento de agradecimento, e não de duvidas. Quando soube (da acusação de que teria mentido) fiquei muito angustiada”, afirmou a servidora, funcionária pública há 28 anos, que está disposta a entregar extratos bancários para comprovar que não faltou com a verdade:

– Estou disposta a entregar cópia do meu imposto de renda e dos meus extratos bancários dos últimos três anos, assim como dos laboratórios do qual sou sócia para comprovar esta afirmação”, concluiu.

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"