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Oposição pede a MPF que investigue obra com dinheiro público que beneficia condomínio de ministro Rogério Marinho

A oposição ao governo Bolsonaro (sem partido), em Brasília, quer que o Ministério Público Federal (MPF) investigue o pedido de R$ 1,4 milhão feito pelo ministro do Desenvolvimento Regional, o potiguar Rogério Marinho, para a construção de um mirante turístico em Monte das Gameleiras, interior do Rio Grande do Norte, vizinho a um terreno de sua propriedade onde será construído um condomínio.

Além da investigação, os parlamentares também querem que Marinho seja afastado do cargo durante o processo e preste esclarecimentos ao Congresso Nacional. A deputada federal pelo Rio Grande do Norte, Natália Bonavides (PT), também vai integrar a representação que será feita contra Marinho.

Natália Bonavides também vai entrar com representação contra Rogério Marinho I Foto: cedida

Uma matéria publicada nesta segunda (20) pelo jornal Estadão, mostra que documentos comprovam que o ministro potiguar Rogério Marinho direcionou R$ 1,4 milhão do orçamento secreto para a construção de um mirante turístico em Monte das Gameleiras, ao lado de um terreno que pertence ao próprio ministro, onde será construído um condomínio particular de 100 casas batizado de Condomínio Clube do Vinho.

Em um primeiro momento, durante audiência da Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Públicos da Câmara Federal, realizada em junho, Marinho negou ser o autor do pedido da verba pública para a obra que acabaria beneficiando seu empreendimento.

No entanto, ao ser confrontado com documentos pelos jornalistas que trabalharam no caso, Marinho admitiu ao Estadão ter feito as solicitações de verba, mas disse que os repasses foram solicitados à pedido de Beto Rosado (Progressistas-RN), apesar do nome do parlamentar não aparecer nos documentos.

Foi somente através da Lei de Acesso à Informação que o Estadão obteve duas planilhas de execução orçamentária do Ministério do Turismo que apontam o ministro Rogério Marinho como autor e agente político da indicação dos recursos. Para chegar à autoria do pedido, o Estadão fez uma série de pedidos através da Lei de Acesso à Informação (LAI). À princípio, o Ministério do Turismo tentou ocultar a informação, garantindo que o autor do pedido era o relator-geral do Orçamento, o deputado Domingos Neto (PSD-CE). Somente após novos pedidos, o jornal chegou ao quadro geral de execução de emendas, onde foi identificado o nome do ministro do Desenvolvimento Regional.

Rogério Marinho afirmou que possui a propriedade em Monte das Gameleiras desde 2005. No entanto, o terreno só aparece em sua declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral em 2010, mesmo ano da solicitação do orçamento para construção do mirante. Beto Rosado, ao ser procurado pelo Estadão, confirmou a versão de Marinho, seu aliado político no Rio Grande do Norte, mas não apresentou nenhum documento que comprovasse que a solicitação da verba tinha sido um pedido seu.

 

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