Diretora do “Nós, Mulheres da Periferia” destaca aumento de mulheres jornalistas e critica pouco espaço para que elas opinem sobre temas gerais
Natal, RN 24 de mai 2024

Diretora do “Nós, Mulheres da Periferia” destaca aumento de mulheres jornalistas e critica pouco espaço para que elas opinem sobre temas gerais

1 de setembro de 2021
Diretora do “Nós, Mulheres da Periferia” destaca aumento de mulheres jornalistas e critica pouco espaço para que elas opinem sobre temas gerais

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“Nós, Mulheres da Periferia” surgiu como um coletivo e veículo de comunicação em 2014 com o objetivo de repercutir a opinião e a história de mulheres negras e periféricas e a diretora institucional Jéssica Moreira contou sobre a experiência no orograma Balbúrdia desta quarta-feira (1º), que celebra durante a semana os 4 anos da agência Saiba Mais.

Com a proposta de contribuir para a construção de uma sociedade plural, antirracista e não patriarcal, o projeto é também ferramenta de combate ao monopólio da mídia.

“A gente entende que a partir de cada história – a partir da história da Jéssica, a partir da história da Luzia, que é a minha mãe, ou da Mariana, que é a minha vizinha – tem um contexto, tem dados, tem geografias e a gente vai falando sobre as questões, tanto as potências que permeiam as periferias, quanto os desafios”, explica a jornalista e escritora, que também é coautora do blog “Morte sem tabu”, na Folha de S. Paulo e repórter na Agência Mural de Jornalismo das Periferias.

Jéssica conta que no início do coletivo foram realizadas oficinas que contemplaram mulheres de 17 a 92 anos e que tiveram como alguns dos resultados uma exposição e um documentário, o “Nós Carolinas”. O grupo tem ainda o podcast Conversa de Plantão.

Desenvolvimento

Até 2020 cada uma trabalhava em outro lugar e o Nós era feito nas horas vagas. Foi aí que três das participantes ficou disponível fulltime para a iniciativa e, com ainda mais dedicação, a empresa foi tomando nova forma.

“A gente continua sendo um veículo independente, mas a gente precisa de algumas coisas pra começar a disputar lugares com outros veículos”, explicou Jéssica, ao apontar que a organização se dividiu em áreas editorial, institucional e operacional. “A gente precisa adquirir outras habilidades, como escrever projeto, fazer orçamento, relatório”.

A jornalista alerta ainda que não basta o CNPJ, mas também o processo de amadurecimento do projeto e que esse desenvolvimento tem passado pelo aspecto pessoal/profissional dessas mulheres. Isso porque as mulheres negras não costumam se ver em lugares de liderança, já que nem sempre estiveram lá.

“A gente ainda tem um número muito baixo de mulheres negras âncoras, líderes de bancadas. Então, a gente ainda tem que lutar muito por esse lugar. Aumentou o número de mulheres jornalistas, mas ainda é baixo o número das que dão sua opinião”, disse, chamando atenção para a grande parcela que deixa de ser ouvida, pois as mulheres negras representam 27% da população do Brasil.

O público é formado principalmente por mulheres entre 18 e 40 anos, mas também inclui as mais velhas que buscam entender as novas mídias e pessoas que querem ser parceiras das causas.

Jéssica acredita que chegar a mais pessoas é uma questão que passa pelo financiamento.

“Uma forma que a gente tem encontrado de driblar isso é pensar novas ferramentas. O podcast, que trabalha áudio, é um jeito de tentar chegar nessas mulheres e o vídeo também. A gente lançou uma série de lives e vai tentar fazer mais agora”, completa, revelando que a audiência já é levada em consideração para a produção de conteúdo.

O site também foi reconfigurado, inclusive com novas editorias. Na mudança, o grupo lançou a coluna “Na boca do povo” para falar de assuntos do dia. Nesta quarta, por exemplo, o tema foi o aumento da conta de luz – tudo com o objetivo de cada vez mais ampliar a voz de diferentes comunidades, para si e outros espectadores.

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