CULTURA

Autocuidado: o que você fez por si mesma hoje?

Reservar um tempo diário para ficar a sós em meditação, envolta em aromas de velas e incensos foi uma prática que se intensificou no cotidiano da advogada Débora Souza nesse último um ano e meio pandêmico. Ao leve cheiro de efeitos terapêuticos diversos que paira no ar, se soma uma música instrumental baixinha, que leva a moça da meditação ao trabalho. “Mantém o ambiente mais equilibrado e me dá suporte nesse cotidiano tão conturbado que estamos atravessando”, explica a profissional de 29 anos, adepta do home office.

Já a comunicadora Sarina Sena elegeu o mar de Ponta Negra como o local ideal para ter um momento de concentrar-se apenas em si.

“Estava praticando atividades físicas por um aplicativo, mas quando descobri um grupo de amigos nadando no mar, resolvi me juntar a eles, depois de tomar a primeira dose da vacina”, diz, explicando que ficou isolada socialmente no último ano, resolvendo o máximo possível de tarefas diárias pelo celular:

“Foi no meio do mar onde encontrei uma oportunidade de cuidar do corpo e da mente de uma forma segura, neste momento de tantas restrições”, confessa.

A comunicadora Sarina Sena passou a estreitar uma conexão com o mar após tomar a vacina / foto: cedida

Autocuidado

As duas compartilham um hábito que parece ter vindo para ficar, diante das tantas reflexões às quais nos impôs a pandemia: o do autocuidado. São pessoas que buscam o reequilíbrio após mais de um ano e meio aprendendo a viver com restrições e dores que as fizeram refletir sobre o que realmente importa: o bem estar individual e também o coletivo – pois, para cuidar de outros, é necessário antes cuidar de si mesmo.

E foi o caminho trilhado por Débora. Após sentir-se fortalecida com a meditação associada ao uso de aromas – ela contabiliza mais de dez frascos de óleos essenciais em uso, atualmente – presenteou as irmãs com velas aromáticas para iniciá-las nas práticas esotéricas diárias.

Oportunidade

Bia e Paloma fundaram a Mística após passarem a produzir itens que a pandemia inviabilizou no mercado local / foto: cedida

Débora não é um caso isolado. Uma pesquisa do Google Trends, ferramenta que mostra os termos mais populares buscados por internautas, revelou que o interesse por velas deste tipo no Brasil cresceu mais que 100% em um período de 12 meses pandêmicos. Estar em casa e cercar-se de um ambiente aconchegante e equilibrado funciona como uma compensação por perdas diversas como deixar de encontrar os amigos ou fazer uma viagem. Remete ao refúgio seguro tão desejado.

Foi nessa esteira que surgiu o negócio da publicitária Bia Régis, há anos já adepta do uso de velas e incensos e de outros exercícios místicos. Com o fechamento do comércio, em 2020, ela se viu sem as usuais opções de compra dos produtos que costumava consumir.

Podia comprar pela internet, mas a entrega também estava prejudicada, no auge do lockdown”, lembra.

Foi quando se dispôs a aprender a fabricar seus próprios incensos e velas. Descobriu essa nova habilidade e convidou a prima Paloma Régis, designer, para ajudar na produção e passar a oferecer também às amigas que cultivam esse estilo de vida mais zen. Assim, de consumidoras, as duas passaram a empreendedoras, aproveitando a efervescência de um novo nicho de mercado consumidor ligado ao esoterismo.

Sustentabilidade e feminismo

A iniciativa de Bia e Paloma agregou outras marcas ao empreendimento / Foto: cedida

A iniciativa das duas deu origem à marca Mística, que passou a agregar outras pequenas produtoras, com o diferencial de realizar uma curadoria para oferecer produtos esotéricos e de bem estar que tivessem conceitos mais jovens e modernos. Em seu portal virtual de comércio, o leque de itens já passa de mais de 50 opções entre bijuterias, roupas, ecobags, almofadas e canecas ligadas à temática do bem estar.

Jovens, mães e empreendedoras, a dupla priorizou gerar trabalho para pessoas LGBTQIA+ e fazer entrega local com o uso de bicicleta para diminuição do efeito estufa. Nessa mesma linha está um dos produtos mais vendidos, as velas feitas manualmente com cera de soja e palma, com pavio de algodão e vidro reutilizado, já produzidas também para venda B2B, o que comprova a ascensão do empreendimento.

Elas integram o (ainda!) pequeno grupo de mulheres que comandam 32% dos negócios no Rio Grande do Norte, o equivalente a 115 mil empresárias, segundo o estudo ‘O Empreendedorismo Feminino no Brasil’, feito pelo Sebrae Nacional.

Gerente do Escritório Metropolitano do Sebrae no RN, Thales Medeiros explica que “muitos empreendedores potiguares viram oportunidades na crise e conseguiram entregar soluções para questões impostas pela pandemia, desde o sistema de entrega às lojas virtuais”.

Do virtual ao shopping

Quiosque da Mística no Natal Shopping / foto: cedida

É aí onde se encaixam os incensários minimalistas, as velas veganas e as roupas confortáveis que há um ano puxam as vendas da marca criada por Bia e Paloma, que tomou fôlego e abriu um ponto físico em um quiosque no Natal Shopping que se alia às vendas online.

Sei que agora estamos explorando um grande mercado direto que certamente nos trará grandes ganhos, mas também estamos trazendo uma nova clientela para o shopping. Todos ganham”, acredita a sócia Paloma Régis.

Negócios colaborativos 

“Estamos sempre atentos aos movimentos do mercado em todos os níveis, seja internacional, nacional e local e, em todos eles, temos observado o crescimento de modelos de negócios colaborativos, que reúnem parceiros em um único espaço. Assim, estamos abrindo a oportunidade para essas marcas estarem presentes em uma vitrine como a do Natal Shopping. Faz parte do nosso DNA apoiar empreendedores locais como a Mística, que chegou agora, e muitas outras ainda virão pela frente dentro desse projeto do qual ela está participando como pioneira”, diz Felipe Furtado, superintendente do empreendimento.

Neste tempo que tem forçado a sociedade a ter olhares mais gentis consigo e com os outros, o autocuidado é um convite a momentos de calma e reflexões – e também de conquistas:

“Consegui dar a volta no Morro do Careca e chegar até a praia do outro lado com meus companheiros de nado, uma meta planejada e alcançada. Foi muito gratificante estar naquele lugar tão privilegiado”, compartilha Sarina, confirmando as vantagens da sua opção pelo autocuidado.

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