Frente debate segurança alimentar no contexto dos povos de matriz africana
Natal, RN 24 de mai 2024

Frente debate segurança alimentar no contexto dos povos de matriz africana

26 de outubro de 2021
3min
Frente debate segurança alimentar no contexto dos povos de matriz africana

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A Frente Parlamentar da Segurança e Soberania Alimentar da Câmara Municipal de Natal recebeu nesta terça-feira (26) representantes do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e discutiu como está vinculada à cultura própria do povo de matriz africana, mas também como garanti-la no meio urbano.

De acordo com a presidente da Frente, vereadora Divaneide Basílio (PT), o momento foi propício para conhecer a percepção sobre o sistema de cultura alimentar na percepção da cultura do povo negro, de matriz africana e como o Legislativo pode contribuir para fortalecê-la. "Podemos assim avaliar como contribuir para preservar e apresentar nossas leis, destacando a necessidade de colocá-las em prática, adequar e fazer com que o PPA (Plano Plurianual) e o Plano Diretor reconheçam a agricultura urbana e os quintais produtivos, mas, também, os quintais sagrados que podem ser estimulados nas casas de matriz africana", disse a parlamentar.

O coordenador nacional da Teia Nacional Legislativa em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, Tatá Edson, do Povo Bantu/RS, destacou que a segurança alimentar vai além da comida na mesa, mas se estende à utilização dos alimentos na vivência de cada povo e na apropriação indevida da cultura alimentar. "Nossa insegurança alimentar está posta porque o que chega às nossas mesas ainda precede vários elementos que reduzem a qualidade e a quantidade necessária. Mas temos muito a construirmos para termos tanto essa segurança, quanto nossa soberania enquanto povo de matriz africana em solo brasileiro, no sentido do reconhecimento e apoderamento da culinária quando nos negam a autoria. Se possível, sugerimos um plano municipal do desenvolvimento sustentável dos povos de origem de matriz africana, de modo que qualifique uma série de possibilidades locais", declarou.

Os participantes da reunião questionaram sobre a legislação e propostas relacionadas à segurança alimentar e ouviram da vereadora Divaneide Basílio um resumo sobre os debates na Frente, a necessidade de execução de políticas públicas e a utilização do PPA e do Plano Diretor como instrumentos a serem utilizados para tanto.

O presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Rio Grande do Norte (Consea-RN), Jean Pierre Câmara, sugeriu que seja trabalhada a conexão de políticas públicas entre secretarias num contexto urbano, já que a agricultura familiar é pensada num contecto rural. "Milhões estão passando fome, especialmente a população negra, mulheres, e população rural. Como mensurar isso em Natal? Precisamos desse mapeamento e é possível fazer isso com dados das secretarias e dos governos, construindo indicadores para termos dados dessa insegurança alimentar, da cultura e da capacidade da produção e reprodução. A agricultura urbana precisa ser pensada com possibilidades de conexão entre secretarias", disse ele.

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